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EUA/CUBA/ Obama pede fim do embargo económico

2016-03-23

(ANG)- O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no terceiro e último dia da sua visita histórica a Cuba, fez um discurso histórico em que prometeu trabalhar com o Congresso americano para pôr fim ao embargo económico ao país.



Obama começou o discurso pedindo permissão para condenar os atentados em Bruxelas. Depois dirigiu-se a Raúl Castro e afirmou que o Presidente cubano “não deve temer nem os EUA nem as vozes diferentes do povo cubano”.

A presença do Presidente dos Estados Unidos em Cuba, desde domingo, é descrita por meios de comunicação social ocidentais como o passo firme de Washington para consolidar a sua influência sobre a política externa de Havana, para desferir um golpe de precisão ao domínio russo na Ilha.

Barack Obama está a conduzir rapidamente uma estratégia dirigida a Cuba, que passa pela aproximação, integração no mosaico social e económico e forte influência no âmbito das relações bilaterais.

Estrategos norte-americanos afirmam que a normalização das relações com Cuba podem significar um avanço aos interesses russos em Havana e noutras frentes internacionais, onde Moscovo tem feito uma resistência a Washington e a Bruxelas.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, manteve encontros de alto nível com o Chefe do Estado Cubano, Raúl Castro, com quem tratou da perspectiva de construção de laços económicos e políticos, no âmbito da retoma das relações em Dezembro de 2015.

Obama também teve encontros com a sociedade civil e falou para todos os cubanos num discurso transmitido pela Rádio e Televisão.

O assessor do secretário de Estado norte-americano e chefe do Departamento para os Assuntos da Democracia e Direitos Humanos, Tom Malinowski, disse, a propósito da estratégia dos Estados Unidos de superar a influência russa em Cuba, que Washington nunca teve uma política anti-russa, porque os EUA estão interessados numa Rússia forte e democrática.

“Se a Rússia se tornar um país forte e democrático, vai ser do interesse da própria Rússia e do interesse dos EUA. Não espero que a Rússia concorde com os EUA em todos os assuntos. Espero que, em algumas áreas, ainda entremos em competição, o que é normal.

Mas era melhor para os dois países se conseguíssemos trabalhar em conjunto para garantir a segurança e a prosperidade global”, disse Tom Malinowski.

“As confusões internas” que no passado “tantas vezes enfraqueceram a Rússia e, como receamos, a possam enfraquecer hoje de novo”, somente criam problemas, “problemas para a própria Rússia, bem como para os EUA e para todo o mundo”, prosseguiu Tom Malinowski, para o qual há um consenso internacional para considerar que algumas acções da Rússia representam uma ameaça à actual ordem mundial.

Como exemplo, indicou as acções da Rússia no conflito da Ucrânia, e definiu a acção russa de “intervenção militar”.

O embaixador norte-americano na Rússia, John Tefft, afirmou que os EUA não vão continuar a pressionar a Rússia para que devolva a Crimeia à Ucrânia.

"A Crimeia tornou-se de novo uma região russa depois de um referendo realizado ali em Março de 2014, no qual a maioria dos habitantes da península votou a favor da reintegração na Rússia”.

As autoridades da Crimeia realizaram o referendo depois do golpe de Estado na Ucrânia de ­Fevereiro de 2014, quando políticos solidários com as forças nacionalistas e russófobas chegaram ao poder.

A Rússia está interessada em que Cuba mantenha boas relações com todos os seus vizinhos, inclusive com os EUA, e saúda o abandono da política de sanções, disse Dmitry Peskov, porta-voz do Presidente russo.

“Estas relações adquirem um novo carácter. Há muitos assuntos para a cooperação bilateral. Com certeza, estamos interessados em que Cuba, um país amigo, mantenha boas relações com todos os seus vizinhos, primeiro com os Estados Unidos”, disse Peskov, em reacção ao comentário do assessor do Presidente norte-americano. ANG/JA


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