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Cabo Verde/ Mudança de embaixadores gera polémica

2016-07-26

(ANG) - A nomeação de novos embaixadores está a gerar muito debate em Cabo Verde, com os partidos da oposição e ex-primeiro-ministro a criticarem o que consideram ser “nomeações políticas”, e o Governo a garantir que os nomeados têm perfil adequado.



O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, anunciou na quarta-feira a substituição dos embaixadores em Portugal, Bélgica e Estados Unidos, com destaque para o antigo primeiro-ministro do MpD, partido actualmente no poder, Carlos Veiga, que vai chefiar a missão diplomática do país em Washington, em substituição do ex-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros José Luís Rocha.

Ulisses Correia e Silva confirmou também a nomeação do ex-deputado Eurico Monteiro para a embaixada de Cabo Verde em Portugal, substituindo Madalena Neves, e o deputado do MpD José Filomeno para a Bélgica, no lugar do ex-ministro Jorge Borges.

Os nomes escolhidos foram enviados ao Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, e aguarda-se a sua confirmação, depois de terem já sido publicadas no Boletim Oficial as exonerações dos anteriores, num processo que tem gerado um intenso debate no país, com críticas dos partidos da oposição ao que dizem ser “nomeações políticas”.

Para o vice-presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde, Rui Semedo, o primeiro-ministro está a desvalorizar os compromissos de despartidarização do Estado assumidos durante a campanha que deu a vitória ao Movimento para a Democracia (MpD) nas legislativas de 20 de Março último.

Em declarações à Rádio de Cabo Verde (RCV), o presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), António Monteiro, sublinhou que o que está em causa não é a capacidade técnica e política dos nomeados, mas sim a forma como o processo está a ser conduzido.

“As nomeações são políticas e devemos assumi-las como tal, porque outrora aconteceu, está a acontecer agora, apesar de o partido que ganhou as eleições a 20 de Março passado dizer que na função pública e nas instituições iríamos ter a despartidarização”, referiu António Monteiro.

Tanto o vice-presidente do PAICV como o líder da UCID chamaram a atenção do primeiro-ministro e apelaram ao Presidente da República para que analise “de forma clara” a situação e ponha em primeiro plano os interesses de Cabo Verde e não os interesses partidários.

ANG/JA


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