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ONU/ Eleição de António Guterres quebra lobbies e tabus

2016-10-07

(ANG)- A confirmação, quinta-feira pela Assembleia Geral, da resolução do Conselho de Segurança que propõe o nome de António Guterres para o cargo de Secretário-Geral da ONU, por aclamação, como recomendado um dia antes, põe fim a alguns obstáculos até então considerados intransponíveis .



António Guterres é o primeiro europeu eleito Secretário-Geral da ONU em mais de três décadas, pondo fim a mais de 70 anos de um “acordo de cavalheiros” segundo o qual o cargo deve ser exercido de maneira rotativa por um representante de cada região do mundo a cada dois mandatos.

Desde 1971, o cargo de Secretário-Geral da ONU era ocupado sucessivamente pela Europa Ocidental, América Latina, África e Ásia, faltando apenas uma região a ser representada, a Europa do Leste.

António Guterres também ultrapassou outro grande obstáculo, o “lobby feminino” e a pretensão, de importantes actores internacionais, de pela primeira vez eleger uma mulher na liderança da ONU.

Quebrou ainda outro tabu, talvez o mais difícil. Estas eleições foram diferentes das anteriores, nas quais não poucos candidatos derrotados reclamavam que a escolha do Secretário-Geral da ONU “não tinha nada a ver com a posição ou o melhor currículo, com a facilidade de se expressar em várias línguas ou com a capacidade administrativa ou carisma pessoal”. A eleição de António Guterres quebrou o ciclo de um Secretário-Geral da ONU “menos inaceitável para os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança”, como acontecia, abrindo um novo ciclo, o de “um Secretário-Geral da ONU de consenso”.

A escolha de António Guterres resultou de um processo mais transparente e renovou o prestígio de uma organização que, apesar de alguns fracassos, tem evitado há sete décadas a eclosão da terceira guerra mundial. Pela primeira vez nos mais de 70 anos de existência, a Assembleia-Geral da ONU, órgão onde estão representados todos os países-membros da organização, recebeu candidaturas e ouviu os candidatos ao cargo.

A nova forma de eleição do homem-forte das Nações Unidas contrasta com a anterior, marcada por conversas à porta fechada, mas mantém a preponderância dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. EUA, Rússia, França, China e Reino Unido continuam a ter a palavra final na escolha do Secretário-Geral da organização, através do uso, ou não, do seu poder de veto.

Apesar dos avanços, a mais recente eleição do próximo Secretário-Geral da ONU pôs a nu algumas falhas do processo, com destaque para a falta de um prazo para o fim da apresentação de candidaturas.

A entrada tardia da candidata Kristalina Georgieva à corrida - “no final da maratona”, como sublinhou o Chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa - ameaçou destruir todos os esforços envidados para se criar um processo de selecção mais transparente e credível na ONU e demonstrou a pertinência desta falha ser colmatada nos próximos tempos.

A eleição de António Guterres é, para o ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Chikoti, “muito importante para África, para a CPLP, para Angola e para a comunidade internacional em geral”.

Ao reagir à escolha do antigo primeiro-ministro português para liderar as Nações Unidas nos próximos cinco anos, o chefe da Diplomacia angolana disse “ter a certeza” de que António Guterres “vai olhar muito para África e para Angola em particular” e esperar que este “consiga promover alguns quadros importantes do continente africano, particularmente da lusofonia”.

Angola apoiou a candidatura de António Guterres, assim como os demais países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor Leste, e, obviamente, Portugal.

A CPLP deve aproveitar esta oportunidade e relançar com António Guterres o debate para o português ser introduzido como língua de trabalho na ONU.

O português é das línguas mais faladas no mundo, com mais de 200 milhões de falantes, e idioma oficial de oito países espalhados pelos vários continentes: África (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe), América (Brasil), Ásia (Timor Leste e Macau, região autónoma da China), e Europa (Portugal).

Isto demonstra a universalidade da língua de Camões, que tem sido factor de unidade nacional e de expressão da identidade dos povos que a utilizam. Até 2009, o português era falado em mais de 20 instituições internacionais, com destaque para a União Africana, União Europeia, União Sul-americana de Nações (Unasul) e Organização dos Estados Americanos e nas Cimeiras de Ibero-Americanas.

Falta apenas tornar o português a sétima língua oficial e de trabalho da ONU, depois do inglês, espanhol, mandarim, francês, árabe e russo, e a CPLP tem toda a legitimidade em lutar para que tal aconteça.

ANG/JA


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