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Costa do Marfim/ "Carrascos" de Gbagbo reclamam o pagamento

2017-01-10

(ANG) - Uma delegação liderada pelo ministro da Defesa da Costa do Marfim, Alain-Richard Donwahi, chegou a acordo no sábado com soldados amotinados que ajudaram Alassane Ouattara a derrubar o ex-presidente do país Laurent Gbagbo.



O acordo com os amotinados permitiu terminar com uma revolta de dois dias que espalhou o pânico em toda Costa do Marfim, deu a conhecer um funcionário envolvido nas negociações.

“Temos um acordo”, disse Djande Lorgn, sub-presidente da Câmara da cidade de Bouaké, onde as conversações aconteceram. “Esse acordo acaba com o motim”, disse o funcionário.

Os militares, que exigiam salários mais altos e bónus pela participação no derrube do ex-presidente Laurent Gbagbo, trocaram tiros na noite de sexta-feira e na manhã de sábado em diversas cidades da Costa do Marfim, incluindo a capital comercial, Abidjan.

Os soldados tomaram Bouaké, a segunda maior cidade do país, no início de sexta-feira, e a rebelião expandiu-se para quatro cidades.

A Costa do Marfim, que possui a maior economia da África Ocidental de língua francesa, saiu de uma crise política em 2002 e 2011 como uma das estrelas económicas ascendentes do continente africano.

A imprensa local dava conta da detenção, durante algumas horas, do ministro da Defesa, Alain Richard Donwahi, em Bouaké, no centro do país, citando fontes do Governo.

Alain Rihard Donwahi foi libertado após os amotinados receberem garantias de que as suas exigências seriam atendidas.

Os militares aceitaram pôr fim ao motim que já tinha posto em causa a calma em várias cidades do país, entre elas Abidjan.

O Presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, anunciou imediatamente a sua vontade política e total disponibilidade para chegar a acordo com os amotinados.

Os amotinados exigem o pagamento de complementos salariais que dizem ter direito desde o final da guerra civil, em 2011, o aumento dos seus salários e a melhoria das condições de vida.

Alassane Ouattara pediu aos amotinados que depusessem as armas para permitir a aplicação completa destas medidas. No campo militar de Akouédo, em Abidjan, foram ouvidos disparos ontem, o que, segundo fontes militares, surge na sequência do desdobramento de forças para controlar pontos estratégicos e impedir novas manifestações de soldados descontentes, ligados a uma facção do Exército que exige pagamentos.

A imprensa local informou que o Presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, regressou ao país, proveniente do Gana, onde devia participar na tomada de posse do novo Chefe de Estado, Nana Akufo-Addo, para acompanhar de perto as negociações com os amotinados.

ANG/JA


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