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Política Primeiro-ministro não consegue convencer jovens a pararem com manifestações

2017-04-11

(ANG) - O líder do Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados (MCCI) com a crise política na Guiné-Bissau, Sana Canté, revelou hoje que o primeiro-ministro, Umaro Sissoco Embaló, lhes solicitou que parassem com as manifestações de rua, mas recusaram.



Sana Canté e mais três elementos do movimento, constituído essencialmente por jovens, reuniram-se hoje, durante mais de três horas, com o chefe do governo guineense para encontrar uma plataforma de entendimento que pusesse fim às manifestações de rua.

«Dissemos ao primeiro-ministro, de forma categórica, que não podemos e nem vamos parar com as manifestações enquanto persistir a crise», defendeu Sana Canté, um jovem jurista formado pela Faculdade de Direito de Bissau.

O movimento tem liderado manifestações de rua em Bissau para protestar contra a crise política que assola a Guiné-Bissau há quase dois anos. Entre as exigências, o movimento pede a renúncia do Presidente guineense, José Mário Vaz, a quem acusa de ser o responsável pela crise.

Sana Canté afirmou ter notado que a preocupação de Umaro Sissoco Embaló se prende sobretudo com o facto de o MCCI projetar para os dias 20 a 23 deste mês, uma série de manifestações de repúdio da visita à Guiné-Bissau do Presidente do Senegal, Macky Sall.

Para o movimento, Macky Sall «é quem está a instigar a persistência da crise» na Guiné-Bissau, pelo que «não é uma visita bem-vinda».

Na audiência, os jovens aproveitaram para repudiar a ação violenta da polícia, do passado sábado, aquando de uma vigília em Bissau dispersada com granadas de gás lacrimogéneo e bastonadas.

Alguns jovens estiveram detidos pela polícia durante algumas horas.

O primeiro-ministro condenou o ato e prometeu abrir um inquérito para saber o que se passou e quem teria ordenado a repressão policial, indicou Sana Canté.

O ativista político afirmou que Umaro Sissoco Embaló prometeu medidas de segurança para os líderes do MCCI, alvos de perseguições e de ameaças, e ainda anunciou que irá colocar o seu lugar à disposição do Presidente guineense, José Mário Vaz, caso acontecer algo contra a integridade física dos líderes do movimento.

Sana Canté adiantou terem também reiterado perante Sissoco Embaló a sua exigência de dissolução do Parlamento, a renuncia ao cargo de José Mário Vaz e a convocação de eleições gerais antecipadas.

Indicou que o primeiro-ministro defendeu que irá iniciar o recenseamento dos eleitores já no mês de maio e que, por outro lado, vai voltar a tentar falar com os partidos que contestam o seu governo.

Quatro dos cinco partidos com assento parlamentar não reconhecem o governo de Sissoco Embalo e pedem a sua demissão.

Segundo Sana Canté, o primeiro-ministro prometeu aos jovens que assim que o Presidente José Mário Vaz regresse ao país vai solicitar-lhe que receba uma delegação do MCCI para falarem sobre a situação política do país.

«Será uma oportunidade para dizermos ao Presidente aquilo que pensamos sobre toda esta crise», assegurou Sana Canté.

José Mário Vaz regressou segunda-feira à Bissau proveniente de Abidjan, onde participou na abertura dos trabalhos de uma cimeira extraordinária da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA).

ANG/Lusa


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