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Crise Política/ Líder do PAIGC revoltado com espancamento aos manifestantes

2017-05-30

(ANG) - O presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, considerou sábado que a violência das forças de segurança contra os marchantes demonstra a predisposição do Presidente da República em transformar o país “num espaço da sua ditadura e da sua tirania”.



O líder dos libertadores estava no Hospital Nacional Simão Mendes onde deram entrada 10 pessoas vítimas de violência policial.

Numa entrevista exclusiva á Rádio Sol Mansi (RSM), minutos depois de os manifestantes serem dispersos, com gás lacrimogéneo e violência física, pelas forças de defesa e segurança que os impediram de chegar a praça dos heróis nacionais, Simões Pereira disse que fica “simplesmente a proibição da marcha, e que este é o verdadeiro rosto da ditadura e tirania que está a dar o seus últimos sopros”.

“Foi uma marcha completamente pacífica realizada pelos cidadãos livres. Primeiro recebeu uma carga militar completamente desproporcional transformado na violência de uma forma gratuita que põe em causa a integridade física das pessoas, sem qualquer tipo de necessidade porque não estavam a constituir ameaça nem para as instituições e para os titulares de quaisquer tipos de cargo”, critica.

Simões Pereira disse ainda que o acto que aconteceu na manhã de sábado demostra o principio do fim.

“De facto, o povo deve ter coragem de ser livre e de confrontar esta situação, e de uma vez por todas se libertar destas ameaças de tirania”, rematou.

Sabe-se que 10 pessoas deram entrada no Hospital Nacional Simão Mendes e desconhecemos o número dos manifestantes detidos, mas a RSM adianta que alguns polícias foram feridos.

Igualmente ouvido pela RSM o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Augusto Mário da Silva, disse que o acto enquadra-se na estratégia das forças de segurança de tentar limitar o exercício dos direitos fundamentais na Guiné-Bissau.

“Nós temos assistido, nos últimos dias, informações que visam simplesmente provocar medo aos manifestantes para não poderem exercer os seus direitos. Isto é muito mau na democracia e as pessoas têm que poder exercer livremente os seus direitos sem qualquer receio de represália ou de algumas intervenções a margem da lei por parte dos manifestantes”, sustenta Augusto Mário que afirma que a liga é sempre contra a violência e apela as forças de segurança a serem aludidos nas acções a serem executados e os cidadãos para evitarem actos de provocação e de vandalismo.

Por seu lado, Fatumata Djau Baldé, activista de defesa dos direitos das mulheres criticou que as autoridades que garantem segurança têm duas faces porque “quando é uma marcha para agradar um grupo é garantida a segurança mas quando é uma marcha para exigir, do outro lado, o cumprimento da Constituição da República a segurança é barrada”.

ANG/RSM


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