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Alemanha/ "Plano Marshall para África" debatido em Berlim

2017-06-13

(ANG) - Berlim, capital alemã, acolhe hoje e amanhã a conferência sobre África do G20, destinada a impulsionar os investimentos das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia no continente africano.



Costa do Marfim, Marrocos, Ruanda, Senegal e Tunísia são os países africanos que já confirmaram a participação no encontro, iniciativa da presidência alemã no G20 que deve contar com a presença de outros países do continente.

Além dos países do G20 e africanos, participam no encontro o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento. Também a apoiam várias empresas europeias. Berlim pretende aproveitar a presidência do G20 para mobilizar mais recursos para África numa altura em que especialistas alertam que mais ajuda financeira não é suficiente para criar riqueza no continente.

A presidência alemã do G20 propõe o “Plano Marshall do Governo alemão para África”, concebido pelo ministro do Desenvolvimento da Alemanha, Gerd Müller, para reforçar o investimento privado e o investimento em infra-estruturas no continente.

O Plano Marshall original, como se sabe, foi aplicado em 1947 para reconstruir os países europeus no pós II Guerra Mundial (1939 a 1945). Oficialmente chamado “Programa de Recuperação Europeia”, ficou mais conhecido pelo nome do Secretário do Estado dos EUA George Marshall. Os investimentos maciços de mais de 13 mil milhões de dólares causaram um forte crescimento da economia alemã.

O “Plano Marshall do Governo alemão para África” propõe um “novo nível” de cooperação entre iguais entre África e os países ocidentais e em áreas como a educação, comércio, empreendedorismo e energia. Também defende o fim de transacções financeiras ilícitas e da fraude fiscal por parte de empresas multinacionais, e que as exportações africanas tenham melhores condições de acesso ao mercado europeu.

No documento de 33 páginas é referido que os Governos africanos devem combater a corrupção e assegurar a boa governação, e melhorar a situação das mulheres. Por essa razão, é proposto no texto que se destine 20 por cento dos fundos para o desenvolvimento em África “para países que levem a cabo as reformas necessárias”.

O plano propõe “uma nova dimensão de financiamento privado em África” que use fundos públicos para o desenvolvimento como “catalisador” de investimentos privados adicionais e medidas para atrair mais investimentos, entre as quais garantias de crédito à exportação.

Aos líderes africanos, pede o aumento das receitas fiscais para o continente ter mais fundos disponíveis. A Alemanha, que detém este ano a presidência do G20, prometeu mais investimentos privados a África por parte dos países mais industrializados e Ludger Schuknecht, economista do Ministério alemão da Economia, está optimista de que os objectivos vão ser conseguidos, porque nos bastidores está-se a trabalhar para que isso aconteça.

“A novidade é que as partes mais importantes - os países africanos, as mais relevantes organizações internacionais, assim como os países industrializados - estão a trabalhar em conjunto, no sentido de melhorar as condições para mais investimentos estrangeiros em África”, revela acrescentando que “o objectivo é que os países africanos criem condições propícias ao investimento privado”.

O economista alemão defende que os parceiros bilaterais, assim como as organizações internacionais envolvidas também devem dar garantias de que apoiam os esforços dos países africanos.

Académicos como Tutu Agyare, que gere a empresa de investimento e consultoria Nubuke Investments, baseada em Londres, estão cépticos sobre o “Plano Marshall para África” de Berlim. “Quando planto cacau e o vendo bruto, a União Europeia compra-o sem tarifas. Mas no momento em que produzo chocolate e tento vendê-lo para a UE, tenho de pagar uma taxa de 30 por cento”, lamenta.

Por essa razão, o especialista quer saber o que é que o G20 está disposto a fazer para mudar algumas das suas práticas e permitir “ambientes justos de negócios”.

Tuto Agyare também defende que a chave para a prosperidade de África “não está nos planos vindos de fora, mas no próprio continente africano”. Ao invés de ajuda ao desenvolvimento, os países africanos deviam considerar como as remessas dos seus cidadãos no exterior podem ser melhor investidas e rever com urgência os seus sistemas de ensino, defende.

“Em África, 50 a 60 por cento da maioria das pessoas ganham o seu sustento através da agricultura, mas menos de 5 por cento dos universitários estudaram agricultura”, lamenta.

Christoph Kannengießer, presidente do “Afrika-Verein”, uma associação de empresas alemãs com negócios em África, diz que “as propostas para facilitar a mobilização de capital privado e a maior participação privada no continente fazem sentido”, mas “o Plano Marshall continua a não especificar medidas e instrumentos concretos”.

“A comunidade empresarial está à espera que esses instrumentos sejam desenvolvidos, para os podermos usar”, afirmou o empresário alemão.

O facto de boa parte do dinheiro das exportações africanas não ser aplicado em investimentos “porque vai directamente para o bolso das elites locais” também inibe o investimento alemão no continente, segundo Thomas Silberhorn, secretário de Estado parlamentar do Ministério alemão da Cooperação Económica e Desenvolvimento.

Apenas 1000 das 400.000 empresas alemãs estão em África. A corrupção, a instabilidade política e a burocracia excessiva são os obstáculos aos investimentos no continente citados pelos empresários alemães.

A transformação económica de África foi o tema de uma conferência realizada em Maio na Fundação Konrad-Adenauer, na capital alemã, no contexto da parceria com o G20, na qual o antigo chefe da Comissão Económica da ONU para África K.Y.

Amoako defendeu a criação de uma economia que gere empregos decentes suficientes para todos os africanos “que já não se baseie na agricultura tradicional, na extracção de matérias-primas e em serviços de baixo valor, mas na agricultura modernizada e na indústria, capaz de competir nos mercados globais”.

Na conferência, Amoako disse que a parceria do G20 com África “é uma boa ideia”, mas sublinhou que “o mero aumento da ajuda ao desenvolvimento não é suficiente” e que “África, rica em recursos naturais, deve gerar mais dinheiro no próprio continente”.

Dados oficiais indicam que actualmente cerca de 389 milhões de africanos vivem na pobreza, número que pode aumentar à medida que a população cresce. E até 2050, também segundo dados oficiais, a população do continente deve dobrar para cerca de 2,5 mil milhões de pessoas.

ANG/JA


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