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Política/ Primeiro-ministro quer no país jornalistas de órgãos estrangeiros para informar melhor

2017-06-15

(ANG) - O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, anunciou que vai solicitar que jornalistas de "outros órgãos internacionais" se instalem no país para "melhor informarem" a sociedade guineense.



As declarações de Sissoco Embaló, foram feitas na terça-feira, quando regressava de uma viagem ao estrangeiro, e transmitidas na rádio privada Bombolom FM de Bissau.

Em reação à presença no país de uma missão do Comité de Sanções das Nações Unidas, que Embaló desdramatizou por não ter nada que ver com o momento político atual, o primeiro-ministro guineense considerou que os órgãos de comunicação social estão a tratar de forma errada aquele assunto.

"Infelizmente temos uma sociedade muito desinformada", defendeu o líder do governo guineense.

Para trazer maior pluralidade e abertura à sociedade guineense, Umaro Embaló adiantou ter solicitado já a "órgãos de comunicação estrangeiros" para que se venham instalar na Guiné-Bissau.

"Pedi aos meus amigos da France 24, Africa 24, Africable, para virem cá. Brevemente, vou mandar o meu ministro da Comunicação Social para que aqueles órgãos se venham cá instalar", declarou Embaló.

Os três órgãos são televisões com conteúdos em língua francesa.

Em resposta aos comentários do primeiro-ministro, o bastonário da Ordem dos Jornalistas, António Nhaga, considerou a ideia "surreal".

"Ele até pode trazer jornalistas da BBC, da Voz da América, só nós aqui é que podemos informar melhor do que ninguém o que se passa no país", sublinhou António Nhaga, que só acredita na mudança "se a democracia funcionar".

O bastonário da Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau considerou que antes de se pensar em trazer jornalistas de fora, o Governo devia era mudar a forma de comunicar as suas políticas públicas.

"A sociedade política comunica mal as políticas públicas. É por isso que a sociedade está dividida", notou António Nhaga, lembrando que o país tem um Ministério da Comunicação Social, mas não tem uma política para o setor.

Em tom de ironia, o bastonário da Ordem dos Jornalistas considerou que talvez venha a ser necessário trazer de fora políticos para ocuparem o lugar dos da Guiné-Bissau.

"Nós também vamos fazer a mesma coisa: vamos trazer políticos de outros países para virem cá fazer política", defendeu António Nhaga.

ANG/Lusa


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