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Escravatura/ “Libia é só o caso mais visível”, diz investigador

2017-11-30

(ANG) - As imagens de um mercado de escravos na Líbia, do canal CNN, correram mundo , José Carlos Marques, especialista nas migrações, alerta que "a Líbia é só o caso mais visível".



Vendidos por pouco mais de 300 euros: as imagens de um leilão de migrantes na Líbia correram mundo e continuam a chocar.

José Carlos Marques,investigador do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, sublinhou que “a Líbia é só o caso mais visível” e que um relatório de abril dava conta de “situações análogas à escravatura” de 40 milhões de pessoas em todo o mundo.

“Há uma falta de acção concreta face ao conhecimento que se tem dessas situações. Ignora-se as situações durante muito tempo e só quando se tornam públicas e visíveis é que se parece querer fazer alguma coisa”, apontou.

A França pediu uma sessão urgente no Conselho de Segurança da ONU e o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, tinha já admitido que ficou "horrorizado". Para José Carlos Marques, esta é, de facto, uma situação que “não pode deixar de horrorizar”.

“É uma situação que não pode deixar de nos horrorizar uma vez que julgávamos que essas situações tinham terminado já há muito tempo. Descobrir que elas continuam a existir e que, provavelmente, são mais correntes e mais praticadas do que nós pensávamos, não nos pode deixar contentes com a evolução que a Humanidade levou nestes últimos anos”, afirmou o investigador.

A escravatura de migrantes deverá ser um dos temas da cimeira Europa-África da próxima semana em Abidjan, na Costa do Marfim, mas o investigador alerta que se as autoridades encontrarem uma medida de “luta contra o tráfico de escravos na Líbia, pode dar origem a que os traficantes de escravos se mudem da Líbia para outro país”.

“Mais importante do que elaborar decisões e recomendações e medidas políticas é efectivamente uma acção concertada e prática para resolver o problema na sua globalidade”, alertou.

Para José Carlos Marques, uma sessão urgente no Conselho de Segurança da ONU sobre este tema poderá “talvez encetar medidas para resolver essa questão” mas não está “totalmente confiante” devido aos acordos que a União Europeia estabeleceu com a Líbia para conter os fluxos migratórios.

“Estamos aqui perante um problema de difícil resolução porque, por um lado, parece só se olhar para a Líbia como um país que poderá servir de fronteira da União Europeia e depois testemunha-se que na Líbia se praticam actos de profunda desumanidade”, adiantou.

Na opinião do investigador, a luta contra o tráfico de migrantes poderia passar pela criação de “canais legais” de migração para a Europa, ainda que admita que não vá ser “tarefa fácil” devido ao ambiente político actual. Por isso, os dirigentes deveriam explicar às populações que “a União Europeia com o seu estado social não consegue sobreviver durante muitos anos se não tiver entrada de migrantes de outros países”.

O especialista das migrações considerou, ainda, como “muito muito pouco” o número de migrantes oriundos da Líbia que França vai acolher - 3.000 até 2019 – face ao Ruanda que vai acolher 30.000.

“Os políticos estão imensamente chocados perante estas situações, perante estas imagens, mas depois, em termos de medidas práticas, sã o muito incipientes. Os países menos desenvolvidos – até porque muitas vezes são os países que estão mais próximos das situações de crise – são eles a assumir grande parte do esforço humanitário de acolher migrantes, refugiados e deslocados, quando os países centrais muitas vezes escudam-se perante grandes discursos”, concluiu.

ANG/RFI


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