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Cultura/ "Sem mudança de mentalidade não vamos à parte nenhuma”, diz músico Tchando Embaló

2018-09-18

(ANG) - O músico guineense Tchando Embaló tem um novo disco intitulado "Bá," e disse tratar-se de uma manifestação da preocupação com “a situação de imensas dificuldades que o povo da Guiné-Bissau enfrenta por causa das querelas entre os políticos”.



Tchando disse celebrar com cautelas os avanços que a Guiné-Bissau regista, e que dão esperança para, através da realização de eleições legislativas em Novembro, seja aberto o caminho para o fim da instabilidade.

“Não sou pessimista, mas o facto de serem as mesmas pessoas que vão concorrer, para mim significa que são as mesmas mentalidades,” diz o artista.

Para Tchando, “se as mesmas mentalidades continuarem, nós não vamos a parte nenhuma, as eleições não vão resolver problemas nenhuns... a mudança das pessoas sim”.

O artista fundamenta que para ocorrer a mudança, os políticos deverão fazer uma introspecção sobre as suas atitudes e não confundir a liderança com interesses pessoais.

“Os governantes devem pensar em melhorar a vida da população”, considerou.

O artista diz que não tem dúvidas de que “a Guiné-Bissau tem quadros para por em ordem o país, mas alega que é preciso que as pessoas tenham ligações e laços de irmandade”.

Salvador Embalo “Tchando”, nasceu em 1957, em Bafatá, terra dominada por música dos Fula e Mandinga.

A sua trajetória inclui fricções com as autoridades da Guiné-Bissau, imediatamente após a independência, em 1974.

“Muitas pessoas foram fuziladas sem julgamento, muitos financiamentos eram desviados, e nós fizemos críticas a isso e fomos para a prisão”, recorda Tchando.

A distribuição de panfletos criticando as autoridades resultou no julgamento por um tribunal militar. Cumpriu dois anos de cadeia e foi liberto após a intervenção da Amnistia Internacional.

Tchando, que reside em Portugal e Franca, faz hoje a sua carreira musical na Dinamarca.

ANG/VOA


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