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Portugal/ Esquerda portuguesa provoca queda de governo de direita minoritária

2015-11-11

(ANG) – A esquerda portuguesa, unida pela primeira vez em 40 anos de democracia, maioritária no Parlamento, fez cair, terça-feira, o governo de direita minoritário e aspira a formação de um governo para terminar com a política de austeridade.



A esquerda, que domina o Parlamento, votou uma moção de censura contra o programa de governo de direita, provocando sua demissão após apenas 11 dias no cargo, razão pela qual o presidente terá que nomear um novo premiê.

O Partido Socialista (PS), em uma aliança inédita com a esquerda antiliberal, procura por um fim à política de austeridade adotada em 2011 pela coalizão de direita, que venceu as eleições de 4 de outubro, mas ficou em minoria no Parlamento.

O resultado das eleições no mês passado constitui "uma derrota da política de austeridade aplicada nos últimos quatro anos", afirmou o PS no texto aprovado com os 123 votos dos deputados da oposição, contra 107 da coalizão governamental de direita, encabeçada por Pedro Passos Coelho.

Desta forma, a bola voltou ao campo do presidente Aníbal Cavaco Silva, encarregado, segundo a Constituição portuguesa, de nomear o chefe de governo. Cavaco Silva, um conservador que deixará o cargo no começo do ano que vem, manifestou sérias reservas sobre um eventual governo de união da esquerda.

Antonio Costa, de 54 anos, secretário-geral do PS e ex-prefeito de Lisboa, assegurou em várias ocasiões que o apoio da esquerda antiliberal, muito crítica à União Europeia (UE) e suas regras orçamentárias, não discutirá os compromissos internacionais assumidos por Portugal.

No meio do dia, o PS já tinha assinado três acordos diferentes com o Bloco de Esquerda, formação próxima ao partido Syriza, que governa na Grécia, o Partido Comunista e os Verdes.

Esta aliança, inédita em pouco mais de 40 anos de democracia em Portugal, permitiria aos socialistas formar "um governo estável, responsável, coerente e duradouro", que a esquerda radical apoiará no Parlamento, embora sem integrá-lo.

Considerado durante anos o aluno mais aplicado das receitas de austeridade e de disciplina orçamentária de seus credores, Portugal volta, novamente, a uma área de turbulência com consequências desconhecidas.

Apenas onze dias depois de ter assumido, o governo conservador de Passos Coelho, de 51 anos, está a ponto de entrar para a história como o mais efêmero de Portugal, mais até que o de Alfredo Nobre da Costa, que durou 85 dias em 1978.

A coalizão de direita venceu as legislativas de 4 de outubro com 38,6% dos votos, mas perdeu a maioria absoluta e está em um Parlamento dominado por uma maioria de esquerda, chefiada pelo Partido Socialista, segundo colocado, com 32,3% dos votos.

A esquerda portuguesa quer relançar a economia, aumentando a renda dos portugueses, pondo um fim aos cortes nos salários dos funcionários públicos em 2016, descongelando as pensões e aumentando o salário mínimo de 505 para 530 euros por mês.

Com isto, espera melhorar a atividade e, em consequência, as finanças públicas, um âmbito no qual o PS espera reduzir o déficit público para 2,8% do PIB em 2016. Ao mesmo tempo, os socialistas defendem uma leitura "mais inteligente e flexível" das normas fiscais europeias, que defendem um déficit inferir a 3% e uma dívida pública limitada a 60% do PIB.

O programa da esquerda gera preocupação no mundo das finanças.

ANG/Angop


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