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Carne verde/ “Vários impostos fazem aumentar preço ao consumidor”, diz presidente dos magarefes

2015-11-20

(ANG) - O Presidente da Associação de Magarefes de Bissau afirmou que a acumulaçäo de impostos pagos no transporte de gado até à capital é que provocou o recente aumento do preço da carne, de 2500 para 3500 francos CFA, o quilo.



Em declarações ao Jornal UE/PAANE/Cenjor, no âmbito da capacitação dos jornalistas, António Bubacar Camara disse que, por exemplo, quem transporta o gado de Bruntuma (no leste) para Bissau é tributado no posto de controlo desta secção, num valor que varia entre 7000 e 9000 Francos cfa na polícia de Gabú, depois no Comité de Estado da zona, nos serviços de veterinária e nos diferentes postos de controlo da polícia durante o trajecto.

“No Senegal, a realidade já é outra, ou seja, um magarefe que compra o gado no interior, apenas paga aos Serviços da Direcção-Geral Veterinária no transporte dos animais até a capital, Dakar”, comparou Camara.

Como solução, este responsável magarefe desde a era colonial, defende a intervenção das autoridades para, nomeadamente, se“acabar com muitos impostos, para depois se falar na descida do preço da carne no mercado”.

Opinião contrária tem um funcionário do matadouro ouvido pelo UE PAANE/Cenjor, que disse que a subida do preço de carne tem que ver “essencialmente com a escassez” de gado no país.

“Como é possível termos um país como a Guiné-Bissau, que tem muita chuva, estar a dar-se ao luxo de importar gado das localidades longínquas das Repúblicas de Mali e Guiné Conacri”, questionou.

Para inverter a situação, aquele funcionário aconselha ao governo a elaborar uma política agrária de criação de gado que incentive os criadores.

E como solução para baixar o preço de carne, a mesma fonte afirmou que “é a lei do mercado que acabara por resolver estas questões”.

Ou seja, segundo disse, “se houver mais gado no país a ser comercializado, a tendência é para a descida dos preços e, caso contrário, o preço da venda do produto e derivados dispara.

No mercado de Bandim, o maior do país, dois vendedores de carne bovina se queixaram do “preço exorbitante” de, por exemplo, uma vaca, que vai até aos 500.000 franços cfa, contra as cifras anteriores que não ascendiam a 200.000fcfa.

Tito Samanancó afirmou que são os vendedores que aumentam o preço de venda aos consumidores. Comprando por 2800 Francos vendem a 3000 (ou um pouco mais)por cada quilograma.

Samananco de 27 anos, frequenta no período da noite o curso de Turismo, e dedica-se a venda de carne durante o dia.

Visivelmente triste e estando de pé junto de uma mesa com alguns quilogramas de carne, Samanancó também é da opinião de que o Estado deve intervir com vista a adoptar uma política que baixe o preço de carne.

Quem partilha o mesmo ponto de vista é Dionísio Saqui, vendedor de carne há dez anos, que fala “em vida difícil nesta altura de crise económica no país, em que se vende pouco”.

Para Juvánia Rodrigues Vaz, consumidora de carne no mercado de Bandim, actualmente o preço deste “produto alimentar é insuportável”.

“Hoje em dia, quem normalmente comprava dois quilos de carne, acaba por adquirir apenas um quilograma devido ao seu elevado valor”, desabafou.

Quantidade esta que, segundo Juvánia Vaz, é insignificante para um agregado familiar considerável, como geralmente se verifica na Guiné-Bissau.

A mulher que comprou nesse dia apenas um quarto de carne “para fazer sopa”, também exorta as autoridades a tomarem medidas que visam atenuar o preço.

Sobre a questão da subida do preço da carne de gado bovino, o jornal contactou sem sucesso, o Ministério do Comércio para ouvir a versão do governo.

Em relação às condições de higiene e saneamento deste único estabelecimento público de abate de gado da capital, a Inspectora dos Serviços de Veterinária local falou de “considerável melhoria” em relação ao passado, nomeadamente na sala de abate.

No entanto, na parte de fora do matadouro, concretamente no espaço entre o seu muro e os bares informais onde se vendem comida, a reportagem do jornal constatou a existência de lama, com mau cheiro, que constituem uma ameaça à saúde pública, nomeadamente devido à mistura das fezes do gado com água estagnada.

A técnica de saúde acrescentou que actualmente as medidas de controlo são mais fortes e que os donos do gado estão a colaborar no sentido de não pôr no mercado um produto que ameaça a vida das pessoas.

“Para além de não admitirmos a comercialização de carne de vaca morta fora do matadouro e em condições estranhas, a carne é transportada para a inspecção para ser analisada à vista desarmada”, explicou.

Entretanto, quando há dúvidas, a especialista disse que a carne é levada ao laboratório público de veterinária para uma análise mais aprofundada.

Acrescentou que em situações excepcionais, a amostra é levada para Dakar, Senegal, para uma análise especializada.

Uma fonte do matadouro disse ao jornal UE PAANE/Cenjor que, até há alguns anos, muitos magarefes para evitarem prejuízos económicos, comercializavam carne de vacas mortas, nomeadamente, por doença.

Facto que, segundo a mesma fonte, levava às sucessivas “troca de mimos” entre os “homens de animais” e os serviços sanitários estatais.

Sobre a criação em Bissau de um estabelecimento de abate de carne completo, em termos de funcionamento, um funcionáro há 18 anos no matadouro disse que com o financiamento da União Económica e Monetária de África Ocidental (UEMOA) será construído, no próximo ano, um “verdadeiro matadouro” no arredores da capital.

Segundo o entrevistado, o novo matadouro será composto, entre outros, de um curral, uma câmara frigorífica de conservação, salas de abate, serviços de inspecção sanitária e talhos. O actual matadouro de Bissau foi construído em 1965 e tem apenas uma sala de abate.

Na Guiné-Bissau as regiões de Bafatá e Gabú (leste do país) são as que mais praticam a actividade pastorícia.

ANG


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