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Artes plásticas/ Nú Barreto em Bissau para captar gritos contra instabilidade crónica

2016-01-15

(ANG) - O artista plástico guineense Nú Barreto regressou esta semana à terra natal para captar os gritos de desabafo da população contra a instabilidade crónica do país.



"São gritos de desabafo. A situação da minha terra não permite danças. Convém gritar" para quem de direito perceba que "são horas de nos deixarmos de brincadeira e irmos para a frente", referiu o artista à Lusa.

Nú usa uma máquina fotográfica como arma de intervenção cívica ao longo desta semana, em Bissau, fotografando no exterior os residentes enquanto gritam para a câmara, para depois criar pinturas ou outros trabalhos inspirados nessas imagens.

"Não tenho forças para ir atacar a assembleia ou torcer o cotovelo às pessoas que deviam responder pela situação do país, mas, gritando é uma forma de o artista participar e dizer: ‘olha, basta'." No caso, "crianças, jovens, idosos, todos são bem-vindos" ao trabalho "Gritos" de Nú Barreto.

"Já que aqui não há paredes para exposições, pronto: faremos a mostra num outro país, onde haja paredes e luzes para mostrar" o trabalho.

Tal como os residentes, Nú também desabafa: "as coisas boas e bonitas que temos, mostram-se lá fora. Nós, guineenses, que cá estamos, não podemos ver", lamentou o artista.

"Se existisse um dicionário guineense, de crioulo, não devia existir nesse dicionário a palavra desenvolver", acrescentou.

Nú Barreto está há 26 anos em França, onde tem um atelier em que cria as suas pinturas, trabalha fotografias e realiza montagens em telas das mais variadas dimensões.

Os seus trabalhos têm passado por dezenas de exposições individuais e colectivas à volta do globo.

"Nú é claramente um dos artistas que hoje tem maior percurso em termos de galerias um pouco por todo o lado", referiu António Costa Valente, produtor do filme em rodagem e que esta semana acompanha o artista no trabalho em curso em Bissau.

O documentário acaba por ser também "uma forma de olhar para o país através de uma coisa mais profunda, como é a arte", concluiu.

ANG/Lusa.


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