Dia Nacional dos Poetas/ Casa das Letras Vasco Cabral organiza colóquio nacional da literatura
(ANG) – A ONG Casa das Letras e Arte denominado – Vasco Cabral promoveu esta sexta-feira , em Bissau, um colóquio nacional sobre a literatura sob o lema: “Um Tributo a Vasco Cabral e à Literatura Guineense”.
O colóquio foi promovido em homenagem ao poéta e antigo dirigente do PAIGC e com batente da liberdade da pátria, Vasco Cabral.
Durante a jornada os participantes debateram temas sobre a Educação e Memória ,Literária e Construção da Nação ,Juventude e Literatura e Literatura e Direitos Humanos.
No encontro foi apresentado um docuntário onde foram ouvidos tentemunhas das façanhas do Vasco Cabral incluíndo da sua esposa, Teresa Cabral ,que estava presente no ato.
Na abertura dos trabalhos, a Diretora-geral da Cultura, Cíntia Cassamá destacou que a data convida à todos para uma reflexão sobre a força da palavra, o poder da poesia e o papel fundamental dos poetas na construção da identidade da Guiné-Bissau.
“Nos momentos mais difícies da nossa história, segundo nos contaram, os poetas ergueram a voz para denunciar as injustiças,para cantar a liberdade e para preservar o lema do nosso povo. Eles foram e continuam a ser os guardiões da nossa cultura e porta-vozes do nosso sentido coletivo.Por isso, nesse dia saudámos os nossos grandes nomes da literatura guineense, em particular o Vasco Cabral ,a Odete Semedo,Tomás Gomes Barbosa, Toni Tchega ,Edson Ferreira e outros”,disse.
Cíntia Cassamá recomenda aos jovens para conntinuarem com esta herança levando a poesia às escolas , praças e para a vida de todos .
A DG da Cultura revelou que o Ministério da Cultura está a trabalhar nas legislação para permitir o crescimento e a profissionalização dos artistas guineenses.
Anunciou para a próxima semana o início da elaboração da Estatistica Cultural Guineense, numa parceria com o Instituto Camões.
Os trabalhos deverão traduzir-se na coleta,organização,análises e divulgação de informações sobre a cultura nacional , no âmbito do qual todos os atores serão lecenciados, tanto em Bissau como nas regiões.
Por seu turno, a Presidente da Casa das Letras e Artes Vasco Cabral, Suaila Fonseca Cá dsse que, naquele momento histórico ,não se podia continuar a ignorar o silêncio que pesa sobre a literatura da Guiné-Bissau, “um silêncio que não é natural,mas sim fabricado” .
Cá disse que a situação é fruto da ausência de políticas públicas de incentivos ,da inexistência de uma crítica literária ativa ,da falta de livrarias ,bibliotecas e espaços de valorização cultural, por isso, segundo diz, “é preciso dizer com clareza que os escritores existem ,produzem ,publicam ,mas o país ainda não os ouve”.
“As suas obras são lançadas como garrafas ao mar ,com pouco ou nenhum eco.Essa invisibilidade não é falta de mérito ,mas sim reflexo de um ecossistema cultural fragilizado, que precisa ser urgentemente reconstruído ,porque a literatura não é luxo ,é necessidade, e porque a palavra é um direito , não um privilegio”,disse.
Fonseca disse que o Vasco Cabral sabia disso ,uma vez que foi poeta ,ensaísta, político,nacionalista militante da palavra, que lutou com armas, mas também com versos .
“O tributo ao Vasco hoje só será legítimo se estivermos dispostos a lutar por uma Guiné-Bissau onde os livros sejam acessíveis ,onde os autores sejam reconhecidos ,onde a literatura seja respeitada como parte da soberania nacional,construíndo um país onde o escritor não seja um estranho mas sim um farol”, disse.
Participaram no colóquio escritores, poetas ,ex-membros do governo, o Secretário da Associação Guineense dos Escritores, Edson Ferreira, Odete Gomes em representação da união Democrática das Mulheres (UDEMU). ANG/MSC//SG