Presidente da República de Transição afirma que as eleições não resolvem crise e defende diálogo nacional
(ANG) – O Presidente da República de Transição afirmou, que as eleições, por si só, não são suficientes para resolver os problemas cíclicos da Guiné-Bissau, defendendo o diálogo nacional como a principal via para alcançar a estabilidade política e social no país.
O Major-General Horta Inta-a falava sexta-feira em conferência de imprensa, em Bissau, destinada a explicar as causas do levantamento militar de 26 de novembro, ocorrido na véspera da divulgação dos resultados das eleições de 23 de novembro de 2025.
Segundo o Presidente de Transição, a sociedade guineense encontra-se profundamente dividida, incluindo confissões religiosas, autoridades tradicionais e forças políticas, uma situação que, no seu entender, não deve ser transportada para os quartéis.
“Os católicos, evangélicos, régulos e toda a sociedade estão divididos. Não queremos essa divisão dentro das Forças Armadas. Os partidos políticos também estão divididos, e são eles que governam o país”, declarou.
Horta Inta-a afirmou ainda que não iria entregar o país a um traficante de drogas, acrescentando que, segundo disse, é de conhecimento público quem financiou a campanha do candidato presidencial Fernando Dias da Costa.
O Alto Comando Militar reiterou estar aberto ao diálogo com todos os parceiros nacionais e internacionais, sublinhando, no entanto, que prefere enfrentar sanções a permitir a morte de cidadãos inocentes.
“Não queremos sanções, mas preferimos isso a ver inocentes a morrer”, frisou.
O Major-General revelou também que o presidente da Sociedade Civil, Fodé Caramba, teria alertado para o risco de guerra caso os resultados eleitorais fossem publicados.
Ao recordar a guerra civil de 7 de junho de 1998, Horta Inta-a afirmou que os sinais de instabilidade da época foram ignorados, conduzindo às consequências conhecidas, razão pela qual, segundo disse, não quer que o país volte a viver uma situação semelhante.
Desde o levantamento militar de 26 de novembro, o Alto Comando Militar assumiu a condução do país num processo de transição que poderá durar até 12 meses.ANG/RSM