Guiné-Conacri/ Cerca de sete milhões de eleitores votam na Guiné-Conacri para eleger Presidente entre nove candidatos
(ANG) – Cerca de sete milhões de eleitores da Guiné-Conacri votaram este domingo, 28 de Dezembro, para escolher o próximo Presidente da República, entre nove candidatos, num sufrágio marcado pelo favoritismo do actual chefe de Estado, Mamady Doumbouya.
Segundo RFI, o general, no poder desde o golpe de 2021, concorre como independente, perante uma oposição fragilizada. As eleições são organizadas pelo Ministério da Administração Territorial, e não por uma comissão eleitoral independente.
As eleição que decorre num contexto político marcado por desequilíbrio entre os candidatos e por críticas quanto à transparência do processo. O sufrágio, que conta com nove concorrentes, é dominado pelo actual chefe de Estado, o general Mamady Doumbouya, considerado favorito à vitória.
As mesas de voto abriram de manhã em todo o país e estão abertas até às seis da tarde, hora local. Até ao momento, as autoridades não indicaram uma data precisa para a divulgação dos resultados, referindo apenas que os dados provisórios devem ser anunciados depois do apuramento central.
O processo eleitoral está a ser organizado pelo Ministério da Administração Territorial, e não por uma comissão eleitoral independente, facto que tem suscitado reservas por parte de sectores da oposição e de organizações da sociedade civil.
Mamady Doumbouya, que chegou ao poder na sequência do golpe militar de Setembro de 2021, concorre como candidato independente, apoiado pelo movimento Geração para a Modernidade e o Desenvolvimento.
Durante a campanha, apresentou-se como garante da estabilidade política e do desenvolvimento económico, defendendo a continuidade das reformas iniciadas durante o período de transição, nomeadamente nos sectores das infra-estruturas e da exploração mineira, num país que detém algumas das maiores reservas mundiais de bauxite.
A oposição surge enfraquecida; entre os principais adversários de Mamady Doumbouya figuram nomes conhecidos da política guineense, como Faya Lansana Millimono, Bouna Keïta e Makalé Camara, a única mulher na corrida presidencial. No entanto, vários líderes políticos conhecidos ficaram de fora do processo, alguns por impedimentos legais e outros por se encontrarem em exílio.
Estas eleições realizam-se depois da aprovação de uma nova Constituição, adoptada em referendo, que redefiniu o quadro institucional do país e permitiu ao actual chefe de Estado candidatar-se à Presidência, além de alargar a duração do mandato presidencial. A reforma constitucional foi contestada por parte da oposição, que a considera um instrumento para consolidar o poder da liderança militar convertida em poder civil.
ANG/RFI