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EUA/Com maioria ameaçada, Trump intensifica ofensiva eleitoral para salvar controle do Congresso

EUA/Com maioria ameaçada, Trump intensifica ofensiva eleitoral para salvar controle do Congresso

(ANG) – A menos de três semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o Partido Republicano enfrenta disputas cada vez mais competitivas, inclusive em estados tradicionalmente conservadores.

Para tentar preservar o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, o presidente Donald Trump e o vice-presidente JD Vance intensificaram a participação em campanhas eleitorais, enquanto o partido amplia os investimentos em publicidade e mobilização de eleitores.

O cenário preocupa os republicanos porque parte dos recursos está sendo direcionada a estados onde Trump venceu com ampla vantagem nas eleições presidenciais de 2024, como Texas, Ohio, Iowa e Alasca.

O Cook Political Report acompanha 37 distritos competitivos para a Câmara dos Representantes. Uma pesquisa realizada em setembro nesses distritos mostrou os democratas com 49% das intenções de voto, contra 47% dos republicanos.

A economia ocupa um lugar central na campanha. Inflação, custo de vida, preços dos combustíveis e os efeitos da guerra com o Irã estão entre as preocupações dos eleitores.

Os democratas tentam associar essas dificuldades às decisões do governo Trump, enquanto os republicanos destacam suas propostas econômicas, a política migratória e a segurança.

 O Texas se tornou um dos exemplos mais significativos das dificuldades enfrentadas peloPartido Republicano.

Trump venceu o estado por quase 14 pontos percentuais em 2024, mas agora precisa participar diretamente da campanha para tentar garantir a vitória de seus aliados.

Na semana passada, o presidente esteve em San Antonio, em sua terceira visita ao Texas em menos de um mês. A principal disputa é por uma cadeira no Senado.

O procurador-geral do estado, Ken Paxton, apoiado por Trump nas primárias republicanas, enfrenta o democrata James Talarico.

Paxton derrotou o senador John Cornyn, que ocupava a cadeira havia mais de duas décadas. Sua candidatura, no entanto, provocou divisões entre republicanos, principalmente pelas controvérsias envolvendo sua trajetória política.

Além da disputa pelo Senado, Trump pressionou os republicanos do Texas a redesenhar os distritos eleitorais para tentar ampliar a representação do partido na Câmara.

Mesmo com a mudança, algumas dessas disputas continuam competitivas. O Texas não elege um democrata para o Senado americano desde 1988. Uma eventual vitória de Talarico representaria uma mudança histórica no cenário político do estado.

Em Ohio, a eleição especial para o Senado entre o republicano Jon Husted e o democrata Sherrod Brown se tornou uma das disputas mais caras do país.

Segundo dados da empresa AddImpact, os gastos com publicidade eleitoral chegaram a aproximadamente US$ 111 milhões em Ohio, US$ 96 milhões no Texas, US$ 48 milhões em Michigan, US$ 44 milhões na Carolina do Norte e US$ 43 milhões em Iowa.

No Iowa, tradicionalmente republicano, o aumento dos custos de produção agrícola, os preços dos combustíveis e as consequências econômicas da guerra com o Irã estão presentes no debate eleitoral. O Alasca também passou a receber atenção nacional.

O vice-presidente JD Vance  esteve no estado para apoiar a campanha de reeleição do senador republicano Dan Sullivan, que enfrenta a democrata Mary Peltola.

Disputas em estados como Kansas também ganharam visibilidade, ampliando o número de territórios onde os republicanos precisam investir recursos e mobilizar lideranças nacionais.

Outro desafio para o partido é a relação dos candidatos com o próprio presidente. Uma análise publicada pela agência Reuters identificou que, em 41 das 62 disputas competitivas para a Câmara e o Senado examinadas, candidatos republicanos se distanciaram de Trump em alguma questão específica ou reduziram a associação pública com ele durante a campanha.

Em alguns casos, referências ao presidente foram retiradas de materiais eleitorais. Em outros, candidatos criticaram decisões da administração, principalmente relacionadas à guerra com o Irã.

O movimento não representa necessariamente um rompimento com Trump. A maioria dos candidatos continua apoiando as principais propostas do governo, mas tenta conquistar eleitores independentes e moderados sem perder o apoio da base conservadora.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos citada no levantamento apontou a aprovação do presidente em 32%, um indicador das dificuldades enfrentadas por candidatos que dependem do apoio de eleitores além da base republicana.

As eleições de 3 de Novembro vão definir a composição da Câmara dos Representantes, onde todas as 435 cadeiras estarão em disputa, e de parte do Senado.

Atualmente, os republicanos controlam 53 cadeiras no Senado, contra 47 do bloco democrata, que inclui dois independentes. Para conquistar a maioria, os democratas precisam obter um ganho líquido de quatro cadeiras.

Na Câmara, onde a vantagem republicana é menor, uma mudança de maioria permitiria aos democratas bloquear parte da agenda legislativa do presidente, convocar integrantes do governo para prestar depoimentos e abrir investigações parlamentares.

Os republicanos ainda contam com recursos financeiros expressivos, o apoio de organizações conservadoras e uma base eleitoral mobilizada em torno de Trump mas a necessidade de defender estados tradicionalmente republicanos demonstra como a disputa pelo controle do Congresso se ampliou nas últimas semanas.

Para Trump, o resultado será um teste de sua influência política. A principal questão é se o presidente conseguirá transferir sua força eleitoral para os candidatos republicanos numa eleição em que seu próprio nome não estará na cédula. ANG/RFI

 

 

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