Coreia do Sul/ Ex-presidente condenado à prisão perpétua por tentativa de golpe em 2024
(ANG) – O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk-yeol foi condenado nesta quinta-feira (19) à prisão perpétua pela tentativa de golpe de Estado no final de 2024.
Considerado culpado de liderar uma insurreição, ao suspender o governo civil na noite de 3 para 4 de dezembro de 2024, o ex-líder conservador escapou da pena de morte, que a promotoria havia solicitado.
“Em relação ao réu Yoon Suk-yeol, o crime de liderar uma insurreição está comprovado”, disse o juiz Ji Gwi-yeon, do Tribunal Distrital Central de Seul, ao ler o veredicto. “O tribunal acredita que a intenção era paralisar a Câmara dos Deputados por um período considerável”, continuou o magistrado.
Segundo ele, “a proclamação da lei marcial resultou em enormes custos sociais, e é difícil encontrar qualquer evidência de que o acusado tenha expressado remorso por isso”. Invocando a ameaça de “forças hostis ao Estado”, Yoon anunciou inesperadamente essa medida na televisão, enviando o exército ao Parlamento para silenciá-lo. A tomada de poder, entretanto, durou apenas seis horas.
No meio da noite, alguns membros do Parlamento escalaram a cerca que delimitava o perímetro e conseguiram entrar na Câmara em número suficiente para frustrar os planos do presidente.
A tentativa de golpe trouxe à tona memórias dolorosas de ditaduras na Coreia do Sul. Os eventos abalaram os mercados, chocaram o mundo e desencadearam uma profunda crise política interna.
Yoon foi preso, sofreu impeachment na Assembleia Nacional e seu rival de esquerda, Lee Jae-myung venceu a eleição presidencial antecipada em junho de 2025. Neste período, os sul-coreanos promoveram grandes manifestações em defesa e contra Yoon Suk-yeol.
Nesta quinta-feira, milhares de seus apoiadores se reuniram em frente ao tribunal, exigindo a retirada das acusações. Alguns caíram em lágrimas ao ouvir o veredicto, enquanto outros reagiram com raiva, segundo imagens da AFP.
Os advogados do ex-presidente de 65 anos, por sua vez, argumentaram que a sentença significava “o colapso do Estado de Direito”. “Por que tivemos julgamentos se foi apenas para seguir a conclusão predeterminada pelos promotores?”, perguntou Yoon Gap-geun aos repórteres. “Estou começando a me perguntar se devemos recorrer”, acrescentou, especificando que a decisão seria tomada após consultar seu cliente.
Entre os opositores de Yoon, o resultado também deixou alguns frustrados. “É claro que esperávamos a pena de morte, então estamos muito decepcionados com a sentença de prisão perpétua”, disse Lim Choon-hee, de 60 anos, à AFP. Nenhuma execução ocorreu no país desde 1997.
Yoon, que compareceu ao tribunal sob custódia, é alvo de vários outros processos criminais. Ele sempre negou qualquer irregularidade, alegando que agiu para “preservar a liberdade” e restaurar a ordem constitucional contra o que chamou de “ditadura legislativa” da oposição, que domina o Parlamento e bloqueava suas propostas, segundo ele.
Yoon Suk-yeol já havia sido condenado a cinco anos de prisão por delitos menos graves relacionados à sua tentativa de golpe. Ex-aliados que estavam em cargos públicos na época também receberam penas de prisão ou aguardam julgamento. O Tribunal Distrital Central de Seul também considerou o ex-ministro da Defesa Kim Yong-hyun culpado e o condenou a 30 anos de prisão.
Por seus respectivos papéis no escândalo, o ex-primeiro-ministro Han Duck-soo foi condenado a 23 anos de prisão no final de Janeiro, e o então ministro do Interior Lee Sang-min recebeu uma sentença de sete anos na semana passada. ANG/RFI/AFP