França/Crise no Golfo dispara preço dos combustíveis nos postos e pressiona países a reagir
(ANG) – Enquanto os ataques não cessam no Irã e em outros países do Golfo, o mundo já sente as consequências de uma nova crise energética provocada pela diminuição da produção e exportação de petróleo.
Os combustíveis já estão mais caros na bomba em diversos países, que implementam estratégias para amortecer o choque.
O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% da oferta mundial de petróleo e gás, além da ofensiva iraniana contra diversos países produtores, fez os estoques diminuírem e os preços dispararem. Na segunda-feira (9), o barril de petróleo bruto do tipo Brent, negociado na Bolsa e referência mundial, chegou a US$ 119, um nível jamais visto desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. O WTI, seu equivalente americano, teve alta de 31% em um dia, uma alta histórica.
“A crise do petróleo se materializa”, destaca o jornal francês Le Figaro, ressaltando que, além da escassez do produto e das dificuldades de transporte, o pessimismo crescente com a indicação do novo líder iraniano, da mesma linha conservadora de seu antecessor, não permite acreditar que o fim da guerra esteja próximo. O texto acrescenta que o aumento dos preços dos hidrocarbonetos significa inflação alta.
O jornal Le Monde traz um levantamento dos estragos provocados pela guerra e que têm impacto direto na crise: no Iraque, a produção já diminuiu 60%, enquanto o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos também tiveram que reduzir a cadência de suas refinarias.
A Arábia Saudita tenta contornar os obstáculos utilizando seus oleodutos para levar o petróleo até o Mar Vermelho, no porto de Yanbu, na costa oeste, mas a capacidade de embarque não é suficiente para suprir toda a demanda.
O jornal Libération explica que os ataques iranianos ameaçam a economia mundial e fragilizam o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já bastante impopular, a oito meses das eleições de meio de mandato.
Muitos países já são obrigados a contornar a crise: a Tailândia e a Coreia do Sul implementaram congelamento de preços, a China proibiu as exportações, e Mianmar e Bangladesh impuseram racionamento.
Os preços dos combustíveis nas bombas também aumentaram significativamente na Espanha, desde o início dos ataques norte‑americanos e israelenses contra o Irã. A alta ultrapassa 22% no valor do diesel, segundo dados do Ministério da Transição Ecológica do país.
Nos postos da França, o diesel ultrapassou na segunda‑feira a barreira simbólica de € 2 por litro. Por isso o governo francês multiplica iniciativas e organiza nesta terça‑feira um “G7 da Energia”. O encontro, que reunirá os ministros de Energia dos países do G7, deve permitir discussões sobre “os impactos da situação atual para o setor energético mundial”, os desafios de abastecimento de petróleo e gás e “suas consequências sobre os preços”, informou o Ministério francês da Economia.
Para o Libé, a “bomba energética se mostra mais perigosa do que o arsenal militar iraniano”. ANG/RFI