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França/Greenpeace bloqueia cargueiro em protesto contra comércio nuclear entre França e Rússia

França/Greenpeace bloqueia cargueiro em protesto contra comércio nuclear entre França e Rússia

(ANG) – Ativistas do Greenpeace, que protestavam contra o comércio de urânio entre a Rússia e a França, bloquearam um navio cargueiro no porto de Dunquerque (norte da França) por cinco horas na manhã de segunda-feira (2). A polícia foi chamada e quatro ativistas foram presos.

Doze ativistas foram inicialmente detidos, e quatro deles, três mulheres e um homem de nacionalidades alemã, austríaca e holandesa, permaneceram presos, informou a promotoria de Dunquerque à AFP.

Os outros oito, de nacionalidades francesa, alemã e belga, foram interrogados e liberados. Uma investigação por obstrução à liberdade de trabalho foi aberta, acrescentou a promotoria.

O bloqueio, que começou às 4h10 (0h10 em Brasília), foi suspenso às 9h10 locais, segundo a polícia. Cerca de vinte membros do Greenpeace bloquearam o navio cargueiro Mikhail Dudin em uma eclusa portuária para impedi-lo de descarregar sua carga, que a ONG ambiental suspeita ser urânio da Rússia destinado ao sector nuclear francês, observou um fotógrafo da AFP ao amanhecer. Alguns deles se acorrentaram a uma eclusa para bloquear o acesso.

O Greenpeace disse à AFP que observou o descarregamento ao meio-dia de “40 contêineres de urânio natural”, que foram enviados por trem, bem como outros contêineres de urânio enriquecido, que foram “descarregados por caminhão”.

Desde o início da invasão russa da Ucrâniaem 2022, o Greenpeace tem denunciado regularmente a continuidade de contratos que ligam a indústria nuclear francesa à Rússia por meio de sua gigante estatal Rosatom, o que representaria uma brecha nas sanções europeias contra Moscou.

“Esse comércio, que indiretamente alimenta a guerra de Putin, deve parar”, reiterou Pauline Boyer, gerente da campanha nuclear do Greenpeace, em um comunicado na segunda-feira.

Dados abertos da Global Fishing Watch mostram que, desde 24 de fevereiro de 2022, início da invasão russa da Ucrânia, este navio cargueiro fez mais de 20 viagens de ida e volta entre Dunquerque e os portos de Vistino, Ust-Luga e São Petersburgo, na Rússia.

Outro navio cargueiro, o Baltiyskiy-202, que já transportou urânio entre a França e a Rússia, segundo o Greenpeace, fez mais de 15 viagens de ida e volta. Tanto o Mikhail Dudin quanto o Baltiyskiy-202 navegam sob a bandeira panamenha e pertencem a empresas registradas em Hong Kong, de acordo com a Organização Marítima Internacional.

Quando contatada pela AFP, a EDF, estatal francesa e maior produtora de eletricidade do país, se recusou a comentar. Já a empresa Orano, grupo francês especializado em mineração, conversão, enriquecimento, reprocessamento e logística nuclear, respondeu que “não está presente” na Rússia e “não possui contratos vigentes para a compra ou venda de urânio natural, reprocessado ou enriquecido com empresas russas”.

No entanto, o grupo esclareceu que os clientes estrangeiros do grupo compram urânio natural do Cazaquistão e “decidem a rota a seguir” para enviá-lo à França. A Framatome, multinacional francesa controlada pela EDF e uma das principais fornecedoras mundiais de tecnologia nuclear, não respondeu.

Em 2025, a França importou pelo menos 112 toneladas de urânio enriquecido e seus compostos da Rússia, representando um quarto do total de suas compras em volume, um nível que permaneceu estável em comparação com 2024, de acordo com dados alfandegários franceses analisados ​​pela AFP. Essas importações, no entanto, diminuíram significativamente entre 2022 e 2024.

ANG/RFI/AFP

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