Israel/ Governo aprova projecto que visa “enterrar” criação do Estado da Palestina
(ANG) – O ministro israelita das Finanças, Bezalel Smotrich, aprovou na quinta-feira, um plano para a construção de milhares de novas habitações entre Jerusalém e o colonato israelita de Ma`ale Adumim.
O projecto visa “enterrar” a criação de um Estado palestiniano.
O plano de Bezalel Smotrich prevê a construção de mais de três mil casas na zona e inclui também o desenvolvimento de uma nova estrada para separar o tráfego palestiniano e israelita e ligar a cidade de Belém, na Cisjordânia, ao sul de Jerusalém, com Ramallah, a norte.
O responsável pela pasta das Finanças explicou que “qualquer pessoa –no mundo de hoje– que tente reconhecer um Estado palestiniano receberá a nossa resposta no terreno. Não com documentos, decisões ou declarações, mas com factos. Factos concretos, como casas e bairros”.
O ministro israelita de extrema-direita acrescentou que este plano “enterra finalmente a ideia de um Estado palestiniano, porque não há nada a ser reconhecido e ninguém para ser reconhecido”.
O grupo Peace Now, organização israelita contrária ao estabelecimento de colonatos, criticou as posições do Governo de Benjamin Netahyahu, incluindo o anúncio de Bezalel Smotrich e do gabinete militar responsável pela gestão dos novos colonatos.
“Estamos à beira de um abismo, e o Governo está a avançar a todo o vapor”, denunciou.
O porta-voz da Autoridade Palestiniana, Nabil Abu Rudeineh, pediu aos Estados Unidos que pressionem Israel para que interrompa a construção de colonatos.
O Hamas classificou o plano como “colonialista e extremista” e pediu aos palestinianos que se opusessem a ele.
O Qatar, que actuou como mediador entre o Hamas e Israel nos esforços para garantir um cessar-fogo em Gaza, condenou as acções de Bezalel Smotrich, considerando-as como uma “flagrante violação do direito internacional”.
O Egipto já veio exigiu explicações sobre uma ideologia defendida pelo executivo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, do “Grande Israel”, que contempla a ocupação de territórios destinados ao Estado Palestiniano e, potencialmente, da Jordânia e do Egipto.
A porta-voz da Comissão Europeia, Anitta Hipper, afirmou que “a União Europeia rejeita qualquer alteração territorial que não faça parte de um acordo político entre as partes envolvidas. A anexação de território é, portanto, ilegal segundo o direito internacional”.
Durante vários anos, as autoridades israelitas evitaram a implementação do projecto de construção, conhecido como E1, devido à pressão da comunidade internacional, que teme que a expansão dos colonatos impeça o estabelecimento de um Estado palestiniano contíguo a Jerusalém Oriental.
O ministro das Finanças agradeceu o apoio do Presidente norte-americano, Donald Trump, e apelou a Netanyahu para “fazer cumprir a soberania israelita”na Cisjordânia para garantir que “os líderes hipócritas da Europa não tenham nada para reconhecer”.
No próximo mês de Setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, vários países, como França, Canadá, Austrália e Portugal, devem reconhecer oficialmente o Estado palestiniano. ANG/RFI