Marrocos/ “Betty” Lachgar acusada de “ofensa ao islão”
(ANG) – A justiça marroquina julga esta quarta-feira a activista “Betty” Lachgar, acusada de “ofensa ao islão”, a pena pode ir até dois anos de prisão efectiva.
Psicóloga clínica, Ibtissame Lachgar, conhecida por “Betty”, de 50 anos, com amplo trabalho a favor das liberdades individuais, publicou no final de Julho uma fotografia em que aparecia vestida com uma t-shirt onde na qual se podia ler “Allah” (“Deus”) seguida da frase “is lesbian” (“é lésbica”).
A imagem vinha acompanhada de um texto que qualificava o islão, “como toda a ideologia religiosa”, de “fascista e misógina”. A publicação suscitou fortes reacções nas redes sociais, desde apelos à detenção até ameaças de violação e lapidação.
A defesa da activista contesta este julgamento imediato, diz-se sem tempo para preparar a defesa, descreve Betty como uma “sobrevivente de um cancro que necessita de tratamento”, além da ausência de “ameaça directa para a segurança de outrem” em caso de libertação provisória. O pedido da defesa foi rejeitado pelo tribunal.
O artigo 267-5 do Código Penal marroquino, ao abrigo do qual a activista é processada, pune com seis meses a dois anos de prisão efectiva “quem ofender a religião muçulmana”. A pena pode ser agravada até cinco anos de prisão se a infracção for cometida em público, “inclusive por via electrónica”.
Em declarações à rádio France Info, a irmã da activista denuncia “uma injustiça”. Siam Lachgar lembra que a irmã é uma defensora das “liberdades individuais e dos direitos das mulheres”.
Até agora, Betty Lachgar nunca tinha sido detida, apesar de ter estado à frente de acções como a distribuição de pílulas abortivas proibidas em Marrocos.ANG/RFI