Médio Oriente/Irã segue retaliando e expandindo a guerra para países do Golfo
(ANG) – O lançamento de drones e mísseis causou mais mortes e destruição nesta terça-feira (17) na região.
A guerra já está na terceira semana e não há qualquer indício de que vá terminar nos próximos dias. Neste décimo oitavo dia de confronto no Oriente Médio, a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, no Iraque, foi novamente atingida por mísseis e drones.
De acordo com fontes de segurança iraquianas, o ataque foi o mais intenso desde o início da guerra. Apesar da destruição, dois oficiais dos Estados Unidos afirmaram que não houve feridos.
Em Abu Dhabi, destroços de um míssil balístico que foi interceptado caíram no distrito de Bani Yas e mataram um paquistanês. Ainda nos Emirados Árabes Unidos, um incêndio causado por um ataque de drones atingiu um grande campo de gás de Shah, administrado por uma joint venture entre a Abu Dhabi National Oil Company e a Occidental Petroleum. De acordo com autoridades locais, ninguém se feriu.
Uma instalação petrolífera em Fujairah, importante terminal de exportações de petróleo dos Emirados Árabes Unidos, foi atingida pelo segundo dia consecutivo por drones lançados pelo Irã, que também demonstrou mais uma vez a capacidade de lançar mísseis de longo alcance. Um ataque iraniano obrigou o fechamento por algumas horas do espaço aéreo dos Emirados Árabes Unidos, rota de diversas linhas aéreas.
A agência de notícias iraniana Tasnim informou que dez estrangeiros foram presos pelo serviço de inteligência da Guarda Revolucionária iraniana. O grupo é acusado de coletar informações sobre locais estratégicos e também de preparar operações em campo no nordeste do Irã. A agência Tasnim não revelou as nacionalidades dos presos.
Nesta terça, Israel promoveu novos ataques contra o sul do Líbano e Teerã. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou a eliminação de Ali Larijani, um dos dirigentes mais influentes do Irã, e do general Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij, em ataques aéreos realizados durante a madrugada em território iraniano.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) revelaram que continuam a realizar incursões “limitadas e direcionadas” no sul do Líbano. Estas ações, segundo a IDF, são parte do reforço de suas operações terrestres contra o Hezbollah.
As autoridades libanesas informaram que quase um milhão de pessoas já foram deslocadas desde o início do conflito na região. Já o governo israelense alertou que esse deslocamento forçado não terminará até que a segurança dos cidadãos israelenses seja garantida.
No Catar, o Ministério do Interior informou que os destroços de um míssil interceptado provocaram um incêndio numa zona industrial sem deixar feridos.
Diante da continuidade do conflito no Oriente Médio, o Estreito de Ormuz permanece parcialmente bloqueado. O Irã, que controla o tráfego no canal, tem deixado passar navios de países aliados. Esta importante via marítima é utilizada as exportações de 20% do petróleo e gás natural liquefeito que abastece o mundo.
A consequência da interrupção de boa parte do tráfego de petroleiros provoca alta nos preços do petróleo, que chegou à marca de US$ 104 por barril.
Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, o chefe da Organização Marítima Internacional (IMO), Arsenio Dominguez, afirmou que a escolta naval no Estreito de Ormuz não garante “100% da segurança” dos navios. Segundo Dominguez, o apoio militar “não é uma solução viável” para desbloquear o canal. A IMO também teme que navios fundeados no Golfo fiquem sem alimentos e demais suprimentos para as tripulações.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi alertado pelo serviço de inteligência de que atacar o Irã poderia provocar uma retaliação de Teerã contra seus aliados no Golfo. A informação foi revelada por um funcionário e duas fontes familiarizadas com relatórios de inteligência dos EUA. De acordo com essas fontes, a resposta de Teerã não era esperada pelo governo, mas relatórios preparados pelos serviços de inteligência antes do início da guerra observaram que tais ataques iranianos “estavam entre as principais consequências potenciais”.
Donald Trump afirmou que os ataques retaliatórios de Teerã contra o Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos foram uma surpresa. “Os iranianos não deveriam ter atacado todos esses outros países do Oriente Médio”, declarou o presidente. “Ninguém esperava por isso. Ficamos chocados”, completou.
Para justificar sua intervenção militar, o líder dos Estados Unidos citou o perigo de o Irã adquirir um míssil capaz de atingir o território americano e de Teerã desenvolver uma arma nuclear dentro de duas a quatro semanas. As alegações feitas por Trump não foram corroboradas pelos relatórios de inteligência dos EUA. ANG/RFI/Com agências internacionais