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Países do Golfo/Arábia Saudita, Qatar e Omã convenceram EUA a “dar oportunidade” ao Irão

Países do Golfo/Arábia Saudita, Qatar e Omã convenceram EUA a “dar oportunidade” ao Irão

(ANG) – A Arábia Saudita, o Qatar e Omã trabalharam para dissuadir o Presidente norte-americano, Donald Trump, de atacar o Irão, alertando-o sobre as “graves repercussões para a região”, disse hoje um alto responsável saudita.

Os três países do Golfo “realizaram intensos esforços diplomáticos de última hora para convencer o Presidente Trump a dar ao Irão uma oportunidade de demonstrar as suas boas intenções”, afirmou a mesma fonte saudita, que falou sob condição de anonimato à agência de notícias AFP.

Os esforços realizados pelos países do Golfo visaram “evitar uma situação incontrolável na região”, disse o responsável saudita.

“Dissemos a Washington que um ataque ao Irão abriria as comportas a uma série de repercussões graves na região”, prosseguiu.

“Passei uma noite em claro a desarmar ‘outras bombas’ na região”, afirmou o mesmo responsável, acrescentando que “a comunicação continua para consolidar a confiança conquistada e o atual clima positivo”.

Outro responsável da mesma área geográfica disse também à agência francesa AFP que “a mensagem transmitida ao Irão foi que um ataque às instalações norte-americanas no Golfo teria consequências para as relações com os países da região”.

Na quarta-feira, parte do pessoal da base norte-americana em Al-Udeid, no Qatar, foi retirado, e os funcionários das missões diplomáticas norte-americanas na Arábia Saudita e no Kuwait foram aconselhados a ter cautela, devido aos receios das consequências de um ataque dos Estados Unidos ao Irão.

Os Estados Unidos têm ameaçado intervir no Irão em resposta à repressão violenta do Governo iraniano dos protestos que têm agitado o país desde os últimos dias de dezembro, com Teerão a afirmar estar preparado para retaliar com ataques contra alvos militares e marítimos norte-americanos.

Muitas bases e instalações norte-americanas estão localizadas no Golfo.

Trump afirmou na quarta-feira que tinha sido informado “por fontes muito importantes” de que “os assassinatos cessaram” no Irão e que as execuções planeadas de manifestantes “não iriam acontecer”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou hoje que o Irão irá defender-se “contra qualquer ameaça estrangeira”, declaração feita durante uma conversa telefónica com o homólogo saudita, o príncipe Faisal bin Farhan al-Saud.

O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.

A organização não-governamental Iran Human Rights (IHRNGO) elevou para 3.428 as mortes registadas nos protestos, alertando que são casos que conseguiu verificar e que o número real deverá ser superior.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se hoje de emergência para “uma reunião informativa sobre a situação no Irão”, a pedido dos Estados Unidos, anunciou o porta-voz da presidência do Conselho, atualmente nas mãos da Somália.

A reunião está marcada para as 15:00 locais (20:00 em Lisboa), segundo indicou um comunicado do porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres.ANG/Lusa

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