Selecione a página

Portugal/África Ocidental enfrenta aumento do uso de drogas sintéticas e desafios na fiscalização, alerta JIFE

Portugal/África Ocidental enfrenta aumento do uso de drogas sintéticas e desafios na fiscalização, alerta JIFE

(ANG) – A África Ocidental enfrenta desafios crescentes no combate ao tráfico e ao consumo de drogas sintéticas, revelou recentemente o Relatório Anual de 2024 da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE).

A apresentação em um ‘webinário’ do primeiro capítulo do relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE) 2024, pela primeira vez em língua portuguesa e em parceria com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), destacou a proliferação dessas substâncias e os riscos associados à saúde pública e à segurança na região.

“O uso indevido do tramadol [opioides] está a crescer na África Ocidental, Central e do Norte, devido às suas propriedades psicoativas, tornando-se uma preocupação fundamental para a saúde e segurança públicas”, realçou o relatório, alertando que a África Ocidental tem registado um aumento no uso não médico dessas substâncias sintéticas.

Além do uso de opioides sintéticos, a JIFE observou que o tráfico de estimulantes do tipo anfetamina para a África Ocidental tem vindo a aumentar de forma consistente, sustentando que “a demanda por metanfetamina já começa a superar a procura por outras drogas tradicionais, como cannabis, cocaína e heroína, em algumas partes da região”.

“O uso de kush continua sendo uma preocupação na África Ocidental. Kush é uma mistura de drogas que pode conter diversas substâncias psicoativas”, explicou.

Outro ponto crítico apontado pelo relatório é a dificuldade de fiscalização e combate ao tráfico, uma vez que as drogas sintéticas podem ser fabricadas com facilidade em pequenos laboratórios clandestinos, sem necessidade de vastas plantações ou complexos sistemas de produção e que os traficantes exploram falhas na regulamentação e utilizam rotas já estabelecidas para o tráfico de drogas convencionais.

A JIFE sublinhou ainda que, apesar das crescentes preocupações, muitos países da África Ocidental enfrentam limitações significativas na capacidade de resposta ao problema, já que “os recursos para tratamento de drogas e programas de reabilitação na região são limitados, o que pode levar a danos sérios e de longo prazo para as populações”.

Diante desse cenário, a JIFE recomendou que os governos da região implementem estratégias mais eficazes de monitoramento, fortalecimento da fiscalização e cooperação internacional para combater o tráfico e consumo de drogas sintéticas.

Também enfatizou a importância de aumentar o acesso a programas de prevenção e tratamento para reduzir o impacto dessas substâncias na sociedade.

A apresentação do relatório contou com a participação a representante da JIFE, Mariângela Simão, do secretário Executivo da CPLP, Zacarias da Costa, e de representantes dos Estados-membros da comunidade.

A CPLP é constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

A JIFE é o órgão independente, estabelecida pela Convenção Única sobre Entorpecentes de 1961, que promove e monitora o cumprimento do Governo com as convenções internacionais de controle de drogas, e os 13 membros da Junta são eleitos a título pessoal pelo Conselho Económico e Social da ONU para mandatos de cinco anos.

 ANG/Inforpress

Sobre o autor

Leave a reply

  • Default Comments (0)
  • Facebook Comments

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Anúncio – Participe do FGI

Videos Recentes

Carregando...

Siga-nos

março 2025
D S T Q Q S S
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031