RPC/“Europa precisa da China e China precisa da Europa” – órgão legislativo chinês
(ANG) – O porta-voz da Assembleia Nacional Popular da China, Lou Qinjian, afirmou hoje que “a Europa precisa da China e a China precisa da Europa”, defendendo o caráter complementar da relação entre ambas as partes, face a tensões crescentes comerciais.
Durante uma conferência de imprensa realizada na véspera da sessão anual do órgão legislativo da China, que arranca na quinta-feira, Lou recordou que no ano passado se assinalou o 50.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre a China e a União Europeia e destacou que os contactos de alto nível foram “frequentes”.
Segundo o responsável, a relação económica e comercial entre Pequim e Bruxelas baseia-se na “complementaridade de vantagens e no benefício mútuo”, acrescentando que a cooperação com a China contribui para o desenvolvimento económico europeu e para a melhoria do bem-estar social no continente.
Lou afirmou ainda que entre as duas partes “não existem conflitos fundamentais de interesses nem contradições geopolíticas” e manifestou a disponibilidade de Pequim para “gerir adequadamente as diferenças comerciais”.
O porta-voz salientou também que, no ano passado, a China e o Parlamento Europeu levantaram de forma recíproca restrições aos seus intercâmbios, permitindo retomar mecanismos de diálogo legislativo.
Ele indicou que a Assembleia Popular Nacional está disposta a reforçar os contactos com o Parlamento Europeu e com os parlamentos nacionais dos Estados-membros da União Europeia, com o objectivo de “aumentar o entendimento, ampliar consensos e promover a cooperação”, de forma a impulsionar um desenvolvimento estável e sustentado das relações entre China e Europa.
As declarações surgem num contexto de fricções comerciais entre a China e a União Europeia, relacionadas com medidas como as tarifas europeias sobre veículos elétricos chineses, os controlos chineses à exportação de terras raras e outros materiais estratégicos, as queixas de empresas europeias sobre restrições de acesso ao mercado chinês e disputas em torno das cadeias de abastecimento globais. ANG/Inforpress/Lusa