Venezuela/ Delcy Rodríguez assume presidência interina
(ANG) – O Supremo Tribunal da Venezuela ordenou neste sábado, 3 de Janeiro, à vice-presidente Delcy Rodríguez que assuma a presidência interina. A decisão acontece após a incursão militar dos EUA no país, que resultou na detenção do Presidente Nicolas Maduro.
A Câmara Constitucional do Tribunal decidiu Delcy Rodríguez deve assegurar todos os deveres, responsabilidades e poderes inerentes ao cargo de Presidente da República da Venezuela, “a fim de garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação”.
Os juízes ainda não declararam a ausência permanente de Nicolás Maduro, o que deverá desencadear eleições antecipadas em 30 dias.
A decisão acontece após a incursão militar dos EUA no país, que resultou na detenção do Presidente venezuelano, com Donald Trump a anunciar que os Estados Unidos iriam “liderar” a Venezuela, um país com 30 milhões de habitantes, até uma transição “segura”.
A Casa Branca divulgou na manhã de domingo, imagens de Nicolás Maduro nos escritórios da Administração de Combate à Droga dos EUA (DEA) em Nova Iorque. Maduro que passou a noite numa prisão federal em Brooklyn.
O Departamento de Justiça norte-americano acusa o Presidente venezuelano de “participar, perpetuar e proteger uma cultura de corrupção”, alegando que as elites venezuelanas terão enriquecido através do narcotráfico e da protecção das redes de tráfico de droga.
A acusação envolve igualmente Cilia Flores, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, e o filho único do Presidente, Nicolás Maduro Guerra. Segundo o Departamento de Justiça, o chefe de Estado venezuelano estaria ligado a cartéis de narcotráfico e a “grupos narcoterroristas violentos” que se financiariam através dos lucros do comércio de cocaína.
Em conferência de imprensa, Donald Trump indicou que o homólogo colombiano, Gustavo Petro, deveria”estar atento” após a captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
“Ele possui fábricas onde produz cocaína. (…) produz cocaína e envia-a para os Estados Unidos, por isso tem mesmo de estar atento”, disse.
A Columbia que reforçou que mobilizou tanques e soldados para proteger a fronteira com a Venezuela. Sob ordens do Presidente Gustavo Petro as tropas convergiram para pontos-chave da fronteira com a Venezuela, temendo migrações em massa ou que gangues criminosas explorassem o caos.
Mais tarde, na mesma conferência de imprensa, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que o Governo cubano deveria estar preocupado após esta operação.
“Se vivesse em Havana e fizesse parte do Governo, estaria pelo menos um pouco preocupado”, acrescentando que “Cuba é um desastre” e que o país é “governado por homens incompetentes e senis”.
O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, apelou aos países da América Latina para “reforçar as fileiras”após a operação militar norte-americana e o “rapto” do presidente Nicolás Maduro na Venezuela, um aliado fundamental de Havana.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China declarou que os Estados Unidos deveriam libertar imediatamente o líder venezuelano Nicolás Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, e resolver a situação na Venezuela através do diálogo e da negociação.
Também a Coreia do Norte denunciou a captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos, como uma “grave violação da sua soberania”.
O recém-eleito presidente da Câmara de Nova Iorque também reagiu. Zoran Mamdani denunciou “um acto de guerra” da administração de Donald Trump contra a Venezuela. Em conferência de imprensa, o autarca disse que teve uma conversa telefónica “franca e directa” com Donald Trump, a quem transmitiu o seu desacordo face à “insistência numa mudança de regime” na Venezuela.ANG/RFI