Irão/ Governo desmente execução de Erfan Soltani
(ANG) – O Irão nega, nesta quinta-feira, 15 de Janeiro, que o Erfan Soltani, detido no sábado durante “tumultos”, tenha sido condenado à morte e possa ser executado, como temiam Washington e organizações de defesa dos direitos humanos.
Erfan Soltani está detido na prisão de Karaj, perto de Teerão, e é acusado de “reunião contra a segurança nacional” e “propaganda contra o regime”, avançou a comunicação social estatal iraniana . A agência de notícias do poder judicial acrescenta ainda que, se o activista for considerado culpado, será condenado a prisão, uma vez que a lei não prevê a pena de morte para estas acusações.
Ontem, o Departamento de Estado dos EUA declarou que o Irão tinha agendado a primeira execução de manifestantes. Mais tarde, Donald Trump afirmou que tinha sido informado por “uma fonte fidedigna” de que “não havia planos para a execução”e que as“matanças iam acabar”, sem fornecer mais detalhes.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, em entrevista Foz News, afirmou que “não há planos” do Irão para executar pessoas em retaliação aos protestos antigovernamentais, reiteranco que“o enforcamento está fora de questão”.
No entanto, o ministro iraniano da Justiça, Amin Hossein Rahimi, garantiu que, “qualquer indivíduo presente nas ruas desde 8 de Janeiro é, sem dúvida, considerado um criminoso”.
Questionado sobre o que diria a Donald Trump, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros afirmou: “A minha mensagem é que entre a guerra e a diplomacia, a diplomacia é o melhor caminho, embora não tenhamos tido qualquer experiência positiva com os Estados Unidos. Mas, ainda assim, a diplomacia é muito melhor do que a guerra”.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente as autoridades iranianas com uma intervenção militar contra a República Islâmica e continua a instar os manifestantes a prosseguirem os protestos.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de Dezembro de 2025, iniciada em Teerão por comerciantes e sectores económicos afectados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de cem cidades do país.
Segundo a organização Iran Human Rights, com sede na Noruega, os protestos já fizeram 3.428 pessoas e levaram à detenção de mais de 10 mil.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se hoje, de emergência, para “uma reunião informativa sobre a situação no Irão”, a pedido dos Estados Unidos, anunciou o porta-voz da presidência do Conselho, actualmente nas mãos da Somália. ANG/RFI