EUA/Acordo entre EUA e NATO pode implicar maior presença da Aliança Atlântica na Gronelândia
(ANG) – O Presidente americano operou um volte-face na quarta-feira relativamente às suas pretensões territoriais sobre a Gronelândia, depois de vários dias de tensões sem precedentes em décadas entre os Estados Unidos e os seus aliados europeus.
Após um encontro à margem do Fórum Económico de Davos, na Suiça, com o secretário-geral da NATO, Trump anunciou ter encontrado um quadro de acordo com Mark Rutte.
Logo a seguir ao seu encontro com o secretário-geral da NATO , o Presidente americano anunciou na sua rede social que tinha chegado a um consenso com o seu interlocutor acerca da Gronelândia e que desistia de aplicar taxas alfandegárias suplementares aos oito países, incluindo a França, que se tinham abertamente oposto à sua intenção de se apoderar daquele território sob tutela dinamarquesa.
Questionado pouco depois pelos jornalistas, Trump não acrescentou muito mais.
“Este acordo dá-nos tudo o que queríamos e penso que ele coloca todas as partes numa posição favorável especialmente no que tange aos minerais e à segurança e vai vigorar para sempre”, disse o chefe de Estado americano.
Por sua vez, o secretário-geral da NATO esclareceu hoje que o acordo alcançado com Trump não diz respeito à soberania da Gronelândia, nem aos seus minérios, mas implica um reforço da presença da Aliança Atlântica na Gronelândia e que isto iria ser discutido com os altos comandantes da aliança.
Neste sentido, uma fonte próxima do dossier também indicou que os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar o seu acordo de defesa datando de 1951 sobre a Gronelândia, entretanto revisto em 2004, e que já por si dá praticamente carta branca às forças armadas americanas naquele território.
Reagindo ao anúncio de Trump, a Primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen assegurou que o seu país “está disposto a prosseguir um diálogo construtivo com os seus aliados sobre a forma de reforçar a segurança no Árctico, incluindo o sistema antimíssil dos Estados Unidos, com a condição de que isto seja feito no respeito da sua integridade territorial”.
Também prudentes, os parceiros europeus saudaram esta decisão e anunciaram suspender a activação do seu instrumento anti-coerção comercial, a chamada “Bazuca”, mas mantêm a sua cimeira urgente em Bruxelas esta noite sobre o braço-de-ferro com os Estados Unidos.
“Ser firme hoje, num mundo em que a lei do mais forte tem tendência por vezes a impor-se, é importante”, considerou Roland Lescure, ministro da Economia da França, país que tem preconizado o recurso à “Bazuca” contra Washington.ANG/RFI