Médio Oriente/Israel e Líbano iniciam negociações diretas inéditas em décadas sob pressão no Oriente Médio
(ANG) – Representantes de Israel e do Líbano se reuniram terça-feira (14), em Washington, em rodada preliminar de negociações diretas de paz, mediadas pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
É o primeiro encontro desse tipo em décadas.
Marco Rubio, saudou o que chamou de uma “oportunidade histórica” para que Líbano e Israel façam a paz, ao reunir os dois países em Washington para negociações diretas. “Trata-se de pôr fim, de forma definitiva, a 20 ou 30 anos de influência do Hezbollah nessa parte do mundo”, declarou. “Isso vai além de um único dia, vai levar tempo”, alertou.
Já o presidente libanês, Joseph Aoun, disse esperar que as negociações marquem “o começo do fim do sofrimento dos libaneses”. Mas “a estabilidade não será restabelecida no sul do Líbano se Israel continuar ocupando territórios ali”, acrescentou.
“Queremos alcançar a paz e a normalização com o Estado libanês”, afirmou um pouco antes o chefe da diplomacia israelense, Gideon Saar. “Não há divergências importantes entre Israel e o Líbano. O problema é o Hezbollah.”
Antes mesmo da reunião, o líder do Hezbollah, apoiado pelo Irã, Naim Qassem, pediu na segunda-feira o cancelamento das conversas, classificando a iniciativa como uma “capitulação”.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio no início de março pelo movimento xiita, em apoio ao Irã, alvo de uma ampla ofensiva israelo-americana.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu terça a eetomada de “negociações sérias para encerrar a guerra no Oriente Médio afirmando que “não há solução militar” para a crise.
“Não existe solução militar para essa crise. A paz exige compromisso e vontade política persistente. É preciso retomar negociações sérias”, disse Guterres a jornalistas na sede da ONU, em Nova York, ao comentar também as conversas realizadas no fim de semana, no Paquistão, entre representantes de Teerã e Washington.
Segundo ele, o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã “deve ser preservado”, assim como a liberdade de navegação, inclusive no estreito de Ormuz.
“É hora de agir com moderação e responsabilidade. É hora de priorizar a diplomacia em vez da escalada”, afirmou, defendendo o respeito ao direito internacional, que, segundo ele, vem sendo “desrespeitado” em várias partes do mundo.
“O desrespeito às normas internacionais gera caos, amplia o sofrimento e leva à destruição”, alertou.
Sobre as negociações entre Israel e Líbano, Guterres afirmou que “ninguém espera” uma solução imediata, mas disse que o diálogo pode abrir caminho para mudanças de comportamento das partes.
Ele criticou tanto Israel quanto o Hezbollah, afirmando que os dois lados têm contribuído para desestabilizar o governo libanês, ao justificar suas ações com base nas atitudes do adversário.
“É hora de Israel e Líbano trabalharem juntos, em vez de o país continuar sendo vítima dessa dinâmica negativa”, disse.
As negociações realizadas no fim de semana entre autoridades dos Estados Unidos, lideradas pelo vice-presidente J.D. Vance, e representantes iranianos, chefiados pelo presidente do Parlamento Mohammad Baqer Qalibaf, não alcançaram avanços significativos.
O resultado aumenta as dúvidas sobre a viabilidade do cessar-fogo de duas semanas anunciado recentemente. Ainda assim, fontes ouvidas pela imprensa indicam que os contatos continuam.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que “todos os esforços seguem em curso” para resolver as divergências.
Vance disse que “a bola está com o Irã”, ao sugerir que Teerã precisa fazer concessões. “Houve avanços, eles se aproximaram da nossa posição, mas ainda não o suficiente”, declarou à Fox News.
Na sexta-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido,Keir Starmer, devem copresidir uma videoconferência com países não envolvidos diretamente no conflito para discutir a situação no estreito de Ormuz, rota por onde costumava passar 20% das exportações mundiais de hidrocarbonetos antes do conflito.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que qualquer navio iraniano que tente furar o bloqueio imposto pelos EUA aos portos do país será “eliminado”.
Segundo dados de navegação da LSEG, três petroleiros sob sanções norte-americanas atravessavam o estreito de Ormuz nesta terça-feira.
Além da segurança no estreito de Ormuz, um dos principais pontos de atrito segue sendo o programa nuclear iraniano.
Trump afirmou que não aceitará um acordo que permita à Teerã desenvolver armas nucleares. “O Irã não terá arma nuclear. Não podemos permitir que um país ameace ou pressione o mundo”, disse. Na semana passada, ele chegou a ameaçar “destruir” a civilização iraniana. ANG/RFI/AFP