Relatório-2026/ONU revela que cerca de 20 por cento da população mundial vive em pobreza aguda
Por Queba Coma – Correspondente da ANG em Portugal
Bissau, 13 Out 26 (ANG) – O Relatório-2026 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, sobre índice global de pobreza, lançado esta segunda-feira, 12 de outubro, conclui que 1,2 dos 6,3 bilhões de pessoas que vivem em 108 países no mundo, enfrentam a “pobreza multidimensional aguda”.
De acordo com o comunicado de imprensa desta agência especializada da ONU, à que a ANG teve acesso, o número de pessoas com pobreza multidimensional aumentou pela primeira vez desde a sua primeira publicação em 2010.
Em relação as zonas do planeta com maiores problemas socioeconómicos, o documento refere que em todas as regiões do mundo, a África Subsaariana, de que a Guiné-Bissau faz parte, tem a maior taxa de pobreza multidimensional aguda, com 616 milhões de pessoas, ou seja, 51,4% da sua população.
Segundo a “ONU NEWS”, entre os países de língua portuguesa citados neste documento, Moçambique é o mais afetado com 38,8% da sua população, seguida da Guiné-Bissau, 35.9, Angola, com 29,6 e São Tomé e Príncipe, com 2,1.
Na Ásia, conforme o relatório, Timor-Leste aparece com 17,4% e na América do Sul, o Brasil com 0,9%.
No entanto, o documento esclarece que os dados destes dois países, bem como os da Guiné Bissau e de São Tomé e Príncipe, são de pesquisas feitas entre 2014 e 2019.
Já em relação a Moçambique e Angola, os “dados são mais recentes, ou seja, referentes aos levantamentos feitos de 2020 à 2025”.
Este informe anual da ONU ainda alerta que a “Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe enfrentam graves desafios estruturais ligados a vulnerabilidades geográficas, climáticas e económicas.
Na Ásia, Timor-Leste lida com os impactos pós-conflito, transição econômica e consolidação de infraestruturas básicas”.
O relatório conclui que mais de metade de todas as pessoas com pobreza multidimensional (51,5 por cento) são crianças.
Uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável(ODS) exorta aos países a redução , no mínimo até metade, o número de cidadãos que se encontram na pobreza “em todas as suas formas e dimensões até 2030”.
O relatório foi elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, e pela Iniciativa de Pobreza e Desenvolvimento Humano da Universidade de Oxford, no Reino Unido. ANG/ÂC//SG