Costa do Marfim/Primeiro-ministro lança alerta sobre febre de Lassa que provoca 100 mil mortes anualmente no espaço CEDEAO
(Despacho de Salvador Gomes, jornalista convidado pela CEDEAO para cobertura da conferência)
(ANG) – O Primeiro-ministro da Côte d´Ivoire alertou, segunda-feira, que a febre de Lassa é responsável por cerca de 300 mil infeções anuais na África Ocidental, das quais 100 mil resultam em mortes .
Robert Beugré Manbé discursava na Conferência internacional da CEDEAO sobre a febre de Lassa, promovida pela Organizada Oeste África da Saúde(OOAS) em Abidjan, na Côte d`Ivoire, em colaboração com o governo da Côte d´Ivoire e a OMS.
A conferência deve durar quatro dias e reúne cerca de 500 participantes, cientistas, investigadores, médicos, decisores políticos, profissionais de saúde de estados membros da CEDEAO.
O chefe do Governo ivoiriense destacou que até Maio deste ano, mais de 65 epidemias foram registadas no continente africano, e que só a Cólera provocou cerca de seis mil mortes.
“Face à esta situação temos a obrigação de agir com vigor e rigor para proteger a saúde da nossa população e a assegurar um bem-estar. Neste quadro, muitas iniciativas em curso merecem ser reforçadas. Tratam-se, nomeadamente, da prevenção, preparação e de resposta à estas epidemias”, disse Mandé.
Acrescentou que a OOAS se empenha ativamente na gestão de ameaças e as crises sanitárias existentes no espaço CEDEAO, através de estratégias que estão na origem da realização desta conferência .
Felicitou a OOAS pelas ações de assistência técnica que dispensa aos serviços competentes dos estados da região, face as exigências sanitárias, não obstante os raros recursos financeiros mobilizáveis.
“A presente conferência sob o tela “Para além das Fronteiras” vai reforçar a cooperação regional, para lutar contra a febre de Lassa e as doenças infectuosas emergentes”, disse.
Para Robert Beugré Mandé a conferência representa uma ocasião para se aprofundar a reflexão sobre a segurança sanitária ligada à doenças emergentes no espaço CEDEAO.
Felicitou à todos os peritos e investigadores que deverão debater e partilhar experiências e sobretudo propor soluções aos decisores, a fim de diminuir o sofrimento das populações dos efeitos da febre de Lassa e outras doenças emergentes.
O Primeiro-ministro da Côte d´Ivoire disse estar convencido de que é preciso uma nova linguagem e nova visão que recaem, essencialmente, sobre a prevenção e atenuação dos riscos.
Disse que a cooperação e solidariedade regional devem ser uma saída da luta contra as doenças ditas emergentes.
Robert Mandé sublinha que cada estado da CEDEAO deve beneficiar de apoio multiforme de estados vizinhos, porque os vírus das doenças não têm fronteiras.
“Devemos todos ter o espírito de que uma epidemia localizada num país do espaço CEDEAO é capaz de propagar para outros países da região. Os estados devem se esforçar, em conjunto, para conter as epidemias nas fontes, a fim de evitar as suas propagações”,. Disse
Reafirmou o engajamento do seu país no apoio à todas as iniciativas que visam o combate as epidemias no conjunto dos países membros da CEDEAO e disse desejar que a conferência seja capaz de produzir soluções concretas a serem submetidos aos decisores dos estados da região .
“Individualmente cada país pode fazer bem mas coletivamente um país pode ser excelente”, vincou.
A febre de Lassa, de origem animal(rato) é considerado um dos desafios de saúde pública mais persistente da África Ocidental.
Segundo um comunicado distribuído à imprensa, a OOAS e seus parceiros promovem a conferência de Abidjan para partilha das mais recentes avanços científicos, e estratégias inovadoras de controlo e abordagem colaborativas, para a prevenção, diagnóstico e tratamento de Lassa- uma febre hemorrágica viral endémica em parte de África Ocidental, associada a elevada morbilidade e mortalidade.
Para além de discursos, a conferência ainda contempla atividades em formatos de painéis e workshops técnicos, em que são abordados os avanços de desenvolvimento de vacinas e diagnósticos; envolvimento comunitário e estratégias de preparação; vigilância, resposta a surtos e colaboração transfronteiriça; quadro político para um controlo sustentável e de eliminação das doenças.
A conferência ainda inclui uma mesa-redonda ministerial, co-presidida pelo Diretor-geral da Organização Oeste Africana da Saúde, Melchior Athanase Aissi, pelo ministro da Saúde e Bem-Estar Social da Nigéria, Professor Muhammad Ali Pate e pelo ministro da Saúde , Higiene Pública e da Cobertura Universal da Saúde da Côte d´Ivoire, Pierre N´Dimba.
A febre de Lassa, refere o comunicado, representa uma séria ameaça a saúde pública , e uma em cada cinco infeções resulta em doença grave e o vírus afeta vários órgãos, como o fígado, o baço e os rins.
“Para além do impacto na saúde , a inexistência de uma vacina e a ausência de um medicamento antiviral aprovado acarreta graves consequências socioeconômicas, sobretudo para comunidades rurais desfavorecidas”, lê-se no comunicado.
A Guiné-Bissau é representada nesta conferência pelo ministro da Saúde Pública, Augusto Gomes.
O DG da OOAS disse que a conferência é um apelo à ação para enfrentar os desafios persistentes associados à febre de Lassa, promovendo avanços na investigação, nos diagnósticos e em soluções lideradas pelas comunidades, ao mesmo tempo que reforça as estratégias de preparação e resposta contra doenças zoonóticas. ANG