Côte d´Ivoire/”África regista 150 epidemias cada ano e o CEO do Instituto Pasteur de Dacar disse ser um “fardo pesado” para o continente
(Despacho do jornalista Salvador Gomes)
(ANG) – A África regista anualmente 150 epidemias, revelou quarta-feira em Abidjan, o CEO do Instituto Pasteur de Dacar, Senegal, Ibraim Socé Fall, na conferência internacional sobre a febre de Lassa que decorre na Côte d´Ivoire, desde segunda-feira.
“Efetivamente, é muito para o continente. Por essa razão, a nossa estratégia é desenvolver as capacidades ao nível dos países. Mesmo no momento de epidemia de Ébola na África Ocidental, fizemos tudo para recrutar jovens, médicos e colocá-los no terreno. Normalmente cada vez que há epidemias são os europeus e americanos que vêm ajudar”, disse Fall em declarações à ANG.
O CEO do Instituto Pasteur de Dacarfez a revelação no âmbito de um dos painéis da Conferência sobre Lassa, dedicado aos temas, ”Detetar Respostas, Vigilância Sanitária e Arquitetura de Combate as Epidemias”.
Fall disse que o reforço de capacidades permitiu , no espaço de alguns anos, a realização da cooperação Sul/Sul, com movimentação de especialistas africanos de um país para outro, e ainda ter uma massa crítica de quadros com competências de epidemiologia para prevenção de infeções e criação de logísticas, para fazer face as epidemias.
Os ministros da Saúde do espaço CEDEAO assumiram segunda-feira o compromisso de financiamento da preparação de respostas à epidemias que afetam a comunidade, e Fall destaca que o laboratório é um componente extremamente importante no combate as epidemias.
“Devemos ter a capacidade de fazer diagnósticos mesmo em locais mais longínquas. É por isso que trabalhamos no diagnóstico de testes rápidos para as doenças que existem em África. Se não se investir nas pesquisas os outros não vão as fazer por nós, porque são doenças que estão connosco”.
Falando de Lassa, Ibraim Fall sublinhou que a doença virou um grande problema de saúde pública na Nigéria, Serra leoa e Libéria e que pode chegar a mais países. “Devemos agir agora com diagnósticos rápidos e vacinas”, disse.
No painel em que interveio Ibraima Fall, a implicação animal como fator de contaminação humana também foi tema dominante, e Daniel Ogom Okomah, um dos oradores demonstrou os desafios latentes e as dificuldades de combate às epidemias relacionadas a aspetos culturais, por exemplo, o consumo de carne de animais selvagens e realização de alguns rituais.
Na Nigéria, em algumas comunidades, ainda se organiza o “Festival de Caça”. “Essa prática só reforça a possibilidade de contaminação”, disse. Egom Okomah. ANG