Dia da Criança Africana/”O Estado deve atribuir maior prioridade aos setores sociais, particularmente à educação e saúde”, diz Formador da Aldeia SOS
(ANG) – O Colaborador e Formador na Área dos Direitos da Criança, da Aldeia SOS-GB, defendeu, terça-feira, que o Estado deve dar prioridade aos setores sociais, particularmente à educação e saúde.
Silvano Braba, falava durante uma Edição Especial de debate dedicada à quinzena dos Direitos das Crianças, e da celebração do Dia da Criança Africana.
Silvano Braba defendeu que a Aldeia das Crianças Guiné-Bissau (SOS-GB) está preocupada com cerca de 150 mil crianças que de momento se encontram fora do sistema educativo nacional, e com aproximadamente 250 mil das mesmas que não possuem documentos de identificação civil.
Segundo Braba, os investimentos continuam insuficientes para responder às necessidades das crianças guineenses, “pois o Estado investe pouco nos serviços sociais básicos, e limita-se em grande parte, ao pagamento de salário”.
Aquele responsável destacou ainda que, muitas famílias percorrem entre 10 e 20 quilómetros para chegar á uma unidade sanitária.
“Estas dificuldades levam muitas pessoas a recorrer à medicina tradicional, em detrimento da medicina convencional, situação que acaba por agravar os desafios relacionados com a saúde materno-infantil”, disse Braba.
Para Adulciana dos Santos, agente da Polícia Judiciária (PJ) da Brigada de Combate aos Crimes Contra Mulheres e Crianças é preocupante a presistência dos abusos sexuais contra menores, sobretudo no seio familiar.
“A Brigada regista semanalmente entre três e quatro processos relacionados com abusos sexuais de crianças, por isso, pedimos o reforço das ações de prevenção, denuncias e proteção das vitimas”, disse Adulciana.
Sublinhou que, embora o assédio sexual não esteja especificamente tipifiado como crime na legislação guineense, trata-se de uma conduta que pode abrir camiho para a prática de crimes sexuais mais grave.
O debate realizado no quadro da celebração da Quinzena dos Direitos da Criança e do Dia da Criança Africana teve a duração de um dia, e serviu para os participantes refletirem sobre os principais desafios enfrentados pelas crianças na Guiné-Bissau, principalmente as relacionadas ao acesso à educação, saúde e à documentação civil. ANG/LLA/ÂC//SG