França/Líderes reagem com otimismo a acordo entre EUA e Irã, apesar da oposição de Israel
(ANG) – O Irã e os Estados Unidos anunciaram a conclusão da primeira fase de um acordo no domingo (14) para encerrar o conflito que teve início em Fevereiro.
Os dois países devem enviar em breve delegações a Doha, onde terão “reuniões preparatórias” antes da assinatura oficial do documento, prevista para sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça. Líderes em todo o mundo receberam o anúncio com otimismo.
O memorando estabelece os princípios de um cessar-fogo, antes do início da segunda fase de negociações, que deve se estender por 60 dias.
As questões que serão abordadas nessa nova etapa incluem temas polêmicos, como a manutenção do programa nuclear iraniano, a estocagem de urânio altamente enriquecido e a retirada progressiva das sanções americanas.
No domingo, ao confirmar o compromisso, Trump anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz sem taxa de passagem e o fim imediato do bloqueio naval americano.
Segundo ele, após operações de desmontagem de minas no estreito, o petróleo voltará a circular livremente a partir de sexta, logo depois da assinatura do memorando na Suíça.
O acordo assinado entre o Irã e os EUA também determina o fim das operações militares de Israel no Líbano a partir desta segunda, outro ponto de impasse.
Nas últimas semanas, os ataques continuaram, e, no domingo, Israel realizou um novo bombardeio contra os subúrbios do sul de Beirute. A operação foi criticada pelo governo iraniano e por Trump
O ministro israelense de extrema direita responsável pela Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, criticou o acordo nesta segunda e afirmou que Israel não está vinculado às decisões tomadas entre Irã e EUA.
“O acordo de Trump não nos compromete. Não fazemos parte desse acordo. Ele não garante nossa segurança”, afirmou Ben Gvir em seu canal no Telegram.
“Não devemos nos contentar com nada que fique aquém do desmantelamento do Hezbollah. Não devemos nos retirar um único centímetro do território que nossos soldados conquistaram e libertaram das infraestruturas terroristas (no Líbano)”, acrescentou.
“A campanha conjunta (Estados Unidos-Israel) obteve muitos sucessos ao enfraquecer o Irã, e esses resultados não foram em vão”, declarou o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, em seu canal no Telegram.
“Teremos de continuar por conta própria a campanha para derrubar o regime, utilizando meios criativos, e garantir que o Irã nunca adquira armas nucleares”, acrescentou, defendendo o reforço da campanha militar no Líbano.
“É no Líbano que seremos julgados. É a nossa guerra, são os nossos soldados, e está em jogo a segurança imediata dos nossos habitantes do norte”, concluiu. Apesar das divergências entre Israel, os EUA e o Irã, as reações de líderes mundiais ao acordo foram otimistas.
“Aguardo com expectativa o fim desta guerra de alto custo e a plena restauração da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz”, reagiu no X o presidente do Conselho Europeu, António Costa, poucas horas após o anúncio.
O bloco europeu propôs apoio logístico e diplomático para concluir as negociações. “Com seu peso econômico, conhecimento nuclear e suas relações de longa data com os parceiros do Golfo, a União Europeia está pronta para contribuir para uma solução duradoura”, disse Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE. “A prioridade agora é a implementação ‘rápida e completa’ do acordo por todas as partes”, acrescentou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
“A liberdade de navegação deve ser restabelecida, sem taxas de passagem. Isso é essencial para a estabilidade regional e para a economia mundial”, acrescentou. Von der Leyen também defendeu um “verdadeiro cessar-fogo” no Líbano. “Não pode haver paz no Oriente Médio enquanto o Líbano estiver em chamas.”
Os ministros das Relações Exteriores da UE também discutem uma possível contribuição da missão naval europeia Aspides para a segurança do Estreito de Ormuz, principalmente nas operações de desmontagem de minas.
O chanceler Jean-Noël Barrot afirmou que a missão internacional já está “pronta”. De acordo com ele, vários países organizaram uma operação defensiva que pode ser rapidamente mobilizada para retomar o tráfego marítimo no estreito. Ele também destacou a importância de avaliar as consequências do acordo, apoiar o Líbano e avançar nas negociações sobre o programa nuclear e balístico iraniano.
O presidente francês elogiou a conclusão do acordo em uma mensagem publicada no X de domingo para segunda. Na mensagem, ele destaca que o memorando é resultado de um “esforço diplomático coletivo.”
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, elogiou Donald Trump e os mediadores e afirmou que é essencial garantir a implementação total do acordo e assegurar a abertura permanente do estreito. Já o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, alertou para a necessidade de evitar “provocações ou ações” que possam aumentar as tensões antes da assinatura do acordo. O Catar reafirmou seu apoio a iniciativas que reforcem a segurança e a estabilidade regionais.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, disse esperar garantias efetivas de segurança e liberdade de navegação em Ormuz, além da conclusão rápida de um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano.
Em um comunicado, o governo australiano insistiu que o Irã deve responder às preocupações sobre seu programa nuclear. Para o primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, a reabertura do estreito é um passo importante para estabilizar rotas comerciais e o abastecimento energético.
A China também elogiou o acordo e os esforços de mediação do Paquistão, declarou na segunda-feira Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.
Pequim espera que Washington e Teerã assinem o texto “como previsto” e que “todas as partes envolvidas priorizem o caminho da paz, a fim de resolver suas divergências por meio do diálogo e da negociação”, afirmou Jian durante coletiva diária à imprensa. ANG/RFICom agências