Irã/Novo líder supremo “está são e salvo”, diz Irã
(ANG) – O novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, está “são e salvo” apesar de seus ferimentos, afirmou nesta quarta-feira (11) o filho do presidente iraniano, Yousef Pezeshkian, em sua conta no Telegram.
Segundo Israel, o novo guia foi “levemente ferido” e por isso não apareceu em público. Mojtaba Khamenei, 56, tornou-se no domingo o novo dirigente iraniano após a morte do pai, o aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro — primeiro dia das operações militares dos EUA e de Israel contra o Irã.
Yousef Pezeshkian diz ter “tido acesso a informações de que Mojtaba Khamenei havia sido ferido” e questionou “amigos” que conhece. “Eles me disseram que, graças a Deus, ele estava são e salvo”, escreveu o filho do presidente iraniano em sua mensagem no Telegram. Mojtaba Khamenei é considerado uma personalidade “misteriosa” e raramente foi visto em público.
Segundo o jornal The New York Times, que cita nesta quarta-feira três autoridades iranianas, o novo guia iraniano “foi ferido, especialmente nas pernas, mas está consciente e protegido em um local seguro, com possibilidades de comunicação limitadas”. Ainda de acordo com o jornal, dois oficiais militares israelenses confirmaram os ferimentos.
Nesta terça-feira (10) um jornalista iraniano perguntou a Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, se o novo guia já havia assumido o cargo, que inclui o comando das Forças Armadas do país. Baghaei respondeu de maneira enigmática: “aqueles que tinham de receber a mensagem já receberam”.
O Irã reivindicou nesta quarta uma nova ofensiva de grande escala e atingiu uma refinaria na Arábia Saudita, situada perto da fronteira com os Emirados Árabes Unidos e crucial para a produção petrolífera saudita. A refinaria explorada pela gigante Aramco — a maior exportadora de petróleo bruto no mundo — já foi alvo do Irã várias vezes desde o início da guerra.
O reino saudita também informou ter interceptado sete mísseis balísticos em ataques separados. Seis deles tinham como alvo a base aérea Prince Sultan, que abriga militares americanos perto de Riad e já havia sido atacada desde o início do conflito.
Cinco drones também foram neutralizados na região de Al-Kharj, onde fica a base Prince Sultan, e dois na região de Hafar Al-Batin, perto da fronteira com o Kuwait, acrescentou o ministério.
Os líderes do G7 devem se reunir por videoconferência nesta quarta-feira para discutir o impacto econômico do conflito, que provoca a disparada do petróleo e pode afetar a economia mundial. O desbloqueio, pelos grandes países, de um volume sem precedentes de suas reservas — superior ao liberado durante a invasão russa da Ucrânia em 2022 — deve ser aprovado ainda hoje, segundo o Wall Street Journal.
Após vários dias de forte alta — chegando a quase US$ 120 por barril na segunda-feira —, os preços do petróleo continuam elevados, em torno de US$ 88 para o Brent.
Em reação aos ataques de Israel e dos EUA, o rã vem bloqueando o estreito de Ormuz, por onde passa boa parte da produção mundial de petróleo, e atingindo infraestruturas energéticas. Um ataque de drone iraniano provocou, na terça-feira (10), por exemplo, o fechamento da refinaria de Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos, uma das maiores do mundo.
Diante da alta dos preços, o presidente americano Donald Trump ameaçou o Irã com “consequências militares sem precedentes” caso o país destruísse o estreito de Ormuz, por onde normalmente transita 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
O Irã, no entanto, não deu sinais de recuo: durante a noite, a Guarda Revolucionária reivindicou a onda de ataques “mais violenta e mais pesada desde o início da guerra” em toda a região.ANG/RFI/Com agências