Caso Campo Rádio/”Pretendemos vender parte do terreno para satisfazer parte da dívida social que a empresa tem com os trabalhadores”, diz PCA da Guiné Telecom
(ANG) – O Presidente do Conselho de Administração da Guiné Telecom disse que estão em curso o processo de venda de parte do terreno do Campo Rádio, sito no Bairro Militar, que constitui o seu património, para satisfazer parte de dívida social que a empresa tem com os trabalhadores.
João António Mendes falava hoje, em conferência de imprensa, de esclarecimento à opinião pública sobre as ondas de reivindicações dos moradores do Bairro Militar, que alegam estarem a ser desprovidos de um espaço onde os jovens praticam o futebol.
“É de conhecimento público que a empresa Guiné Telecom entrou em falência técnica desde 2014”,disse João António Mendes.
Acrescentou que, em 2019, depois de um estudo realizado com financiamento do Banco Mundial foram produzidas recomendações que aconselham ao Governo a proceder a rescisão de contrato com os trabalhadores de forma a evitar a acumulação contínua de dívidas relativas a salários.
“O Governo chegou a um acordo com a administração da Guiné Telecom e posteriormente com os Sindicatos, tanto da Guiné Telecom como da Guiné Tel visando proceder a rescisão de contratos, através de um processo de despedimentos”, disse.
Segundo aquele responsável, o processo foi levado a cabo a partir de Dezembro de 2019 e na altura o Executivo não tinha condições financeiras para pagar a totalidade das dívidas que a empresa contraiu com os trabalhadores, nomeadamente uma parte de dívida salarial, segurança social, indemnização de despedimentos de trabalhadores entre outras.
“Iniciamos as negociações em 2019 e tendo em conta as dificuldades financeira do Governo só se conseguiu o pagamento de uma parte da dívida salarial e o remanescente da dívida ficou por pagar posteriormente, mas até hoje o Governo não conseguiu honrar essa promessa”, frisou.
O PCA da Guiné Telecom disse que a situação terá provocado o agravamento da situação dos trabalhadores, em termos de saúde e relações familiares, devido a falta de rendimento económico.
“Entretanto, o Conselho de Administração juntamente com sucessivos Governos tentou buscar várias soluções para a resolução do problema, dentre os quais crédito junto de bancos comerciais, infelizmente não foi possível e entabulamos contactos junto dos Governos para ver a possibilidade de desbloquear outros fundos, mas, também não foi possível”, sublinhou.
Em 2024, de acordo com João António Mendes, a administração da empresa fez uma sugestão ao Governo para lhe deixar vender uma parte do terreno, seu património, para a resolução dos problemas dos trabalhadores, visto que as suas situações estão a tornar cada vez mais difíceis.
“Foi realizada uma Assembleia Geral da empresa em Março de 2024, em que o Governo esteve representado e foi nesse reunião que se tomou a decisão de venda da parte desse terreno ”, afirmou.
Acrescentou que em 2025, o Governo reunido em Conselho de Ministros deu anuência à Administração da Guiné Telecom para a venda de parte do referido terreno.
Aquela responsável disse que a administração da Guiné-Telecom decide reservar parte do terreno para a prática de desporto(futebol) desde 2025.
“E a partir daí a Administração tem toda a liberdade e legitimidade de proceder com as orientações que recebeu. E dai contactou a Câmara Municipal de Bissau (CMB) para lhe apresentar os trabalhos topográficos que pretende fazer dentre os quais a salvaguarda de um espaço para a prática desportiva concretamente futebol 11.
António Mendes disse que os trabalhos da CMB , em curso, apesar de dificuldades impostas pelos moradores que deitaram lixos no espaço, se encontram na fase de implementação do plano urbanístico.
“Foi daí que surgiram as revindicações dos moraodres com alegações de que l o terreno onde os jovens praticam futebol está a ser vendido”, disse o PCA da Guiné-Telecom João António Mendes.ANG/ÂC//SG