Camarões/Papa Leão XIV pede para multidão ‘não se entregar ao desespero’
(ANG) – Uma multidão de cerca de 120 mil pessoas assistiu à missa do papa Leão XIV nesta sexta-feira (17) em Douala, capital económica dos Camarões, segundo o Vaticano.
Os fiéis esperaram por horas sob um calor escaldante para a celebração da missa, muitos vestindo roupas com a imagem do pontífice.
O governo local menciona um número bastante superior de participantes, de cerca de um milhão de pessoas. “Viva o papa!”, cantava a multidão quando o pontífice americano chegou no papamóvel à esplanada do Estádio Japoma. Leão XIV acenou com ramos de oliveira, símbolo da paz, e bandeiras do Vaticano.
Em sua homilia, proferida em francês, o papa conclamou os camaroneses a serem “agentes do futuro” e a “rejeitarem todas as formas de abuso e violência”. “Não se entreguem ao desespero ou ao desânimo”, disse ele.
Referindo-se ao milagre da multiplicação dos pães narrado nos Evangelhos, o papa afirmou: “Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se for tomado, não com mão que arrebata, mas com mão que dá”.
Em meio a um forte esquema de segurança, alguns camaroneses passaram a noite no estádio para conseguir um lugar na primeira fila durante a missa. “Ver o papa me deu uma sensação de libertação. Fiquei profundamente comovida com sua mensagem, especialmente com seu apelo à partilha”, confidenciou Edith Fifi, uma esteticista de 25 anos.
Desde sua chegada ao país, na quinta-feira (16), os pronunciamentos do pontífice têm sido marcados por um forte foco social: na quinta-feira, ele denunciou “o mal causado de fora, por aqueles que, em nome do lucro, continuam a se apoderar do continente africano para explorá-lo e saqueá-lo”.
“O mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos, mas se mantém unido por uma multidão de irmãos e irmãs em solidariedade!”, reiterou o papa em Bamenda, capital da região noroeste de língua inglesa, assolada por um conflito entre as forças governamentais e grupos separatistas armados.
Diante das autoridades, principalmente de Paul Biya, de 93 anos, que está no poder desde 1982 e foi recentemente reeleito para um oitavo mandato, o pontífice proferiu um discurso firme, apelando para “quebrar as correntes da corrupção”.
A reeleição de Biya, em outubro, desencadeou protestos, durante os quais 48 pessoas foram mortas pelas forças de segurança, segundo fontes da ONU, quase metade delas na região de Douala.
Após a missa, o papa visitará o Hospital Católico de São Paulo, em Douala, e retornará a Yaoundé, onde discursará para a comunidade académica. Ele concluirá sua visita com uma celebração litúrgica privada na manhã de sábado.
“Nosso país precisa de uma poderosa bênção para que a esperança renasça”, declarou o bispo Léopold Bayemi Matjei de Obala, a cerca de uma hora ao norte de Yaoundé.
O pontífice continuará esta intensa viagem por Angola e Guiné Equatorial, até 23 de abril. A etapa inicial foi uma visita histórica á Argélia.
ANG/RFI/ AFP/Reuters