Médio Oriente/EUA intensificam ataques contra o Irã, que reage com bombardeios a aliados de Washington
(ANG) – Os Estados Unidos intensificaram os ataques em diversas regiões do Irã, que respondeu voltando a atingir países aliados de Washington.
O regime iraniano afirmou nesta segunda-feira (20) que as negociações para encerrar a guerra
Desde a retomada dos combates, em 7 de Julho, os EUA concentravam seus bombardeios no sul do país, próximo ao Golfo Pérsico. Mas, na última semana, o conflito se expandiu e passou a atingir o centro e o noroeste do território iraniano, segundo autoridades locais.
Nesta segunda-feira (20), uma pessoa morreu e várias ficaram feridas em bombardeios americanos contra Tabriz, no noroeste do Irã, a mais de mil quilómetros do Golfo. Outras ficaram feridas em ataques à cidade de Orumieh, na província vizinha.
Washington afirma ter como alvo instalações militares, mas, segundo Teerã, os bombardeios atingiram áreas urbanas, incluindo Bushehr, onde fica a única usina nuclear em funcionamento no país. A central de Darkhovin, ainda em construção, também foi atingida no domingo, segundo o governo iraniano.
O Irã pediu que a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) condene os bombardeios americanos contra a central de Darkhovin, de acordo com um comunicado divulgado pelo porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï.
“O Irã espera que o Conselho de Governadores da AIEA e seu diretor-geral, Rafael Grossi, que se pronunciam regularmente sobre a questão nuclear iraniana, esclareçam sua posição sobre esse assunto e condenem o crime perpetrado pelos Estados Unidos”, afirmou.
Em resposta aos ataques americanos, Teerã atingiu Kuwait e Bahrein, aliados dos Estados Unidos na região do Golfo, mas garantiu nesta segunda-feira que as negociações indiretas com Washington seguem em andamento.
De acordo com o porta-voz iraniano, a diplomacia esteve ativa nos últimos dias. Paquistão, Catar e Omã participam dos esforços de mediação. O Exército do Kuwait informou que enfrenta uma nova ofensiva de drones iranianos.
A Guarda Revolucionária, força ideológica da República Islâmica, afirmou no domingo ter destruído aeronaves americanas em Aqaba, na Jordânia, e realizado um “ataque surpresa” contra infraestruturas militares dos EUA em Al-Tanf, na Síria.
Três militares americanos morreram recentemente no Oriente Médio: dois na sexta-feira, em ataques iranianos na Jordânia. Outro soldado continua desaparecido, e um terceiro morreu no Iraque durante a destruição de munições inimigas.
Segundo Donald Trump, os recentes ataques americanos foram realizados “em homenagem” aos militares mortos. Ao todo, 17 militares americanos morreram desde o início da guerra, em 28 de Fevereiro.
Do lado iraniano, o último balanço oficial, divulgado na sexta-feira, regista 50 mortos e mais de 500 feridos desde a retomada dos combates.
O Irã também reforçou o controle sobre o estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial. A Guarda Revolucionária anunciou nesta segunda-feira a interceptação de dois petroleiros que teriam explodido ao tentar atravessar o estreito, após a imobilização de outros quatro navios no domingo.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO relatou que um navio atingido por um “projétil” pegou fogo a cerca de 15 quilómetros a noroeste da localidade omanense de Kumzar.
“Não devemos permitir que essa via marítima volte a ser desviada de sua finalidade principal para ameaçar a segurança e os interesses nacionais do Irã”, afirmou Baghaï, acrescentando que seu país está “determinado a tomar as medidas necessárias” para garantir sua soberania.
No domingo à noite, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pediu à comunidade internacional que se una a Washington para “proteger a navegação marítima” no estreito de Ormuz.
Antes da guerra, cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos passava pelo estreito. Desde a retomada das hostilidades com os Estados Unidos, a passagem voltou a ser controlada pelo Irã. ANG/RFI/Com agências