França/De forma ‘unânime’, Uefa formaliza ameaça de boicote à Copa, em protesto contra plano da Fifa
(ANG) – Após votação “unânime”, as federações nacionais que compõem a Federação Europeia de Futebol (Uefa) formalizaram na quinta-feira (30) a ameaça de boicote à Copa do Mundo e a outras competições da Fifa, caso a entidade máxima do desporto prossiga com sua nova proposta de abertura de capital a investidores privados.
Na terça-feira, 28 de julho, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, anunciou sua intensão de vender participações a investidores externos em uma subsidiária responsável pela organização dos torneios da entidade. A medida provocou forte reação negativa em todo o mundo.
Em comunicado divulgado nos seus canais oficiais, a confederação europeia e seus 55 membros “rejeitam, de forma unânime e inequívoca, a proposta da Fifa de transferir participações acionárias na Copa do Mundo e em outras competições da Fifa para investidores privados”.
“Após a discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem na mesa”, informa a confederação europeia. A próxima grande competição organizada pela entidade máxima do futebol é a Copa do Mundo Feminina, prevista para ocorrer no Brasil em 2027.
A reação da Uefa foi bem recebida pelo Comissário Europeu para a Equidade no Esporte, Glenn Micallef, que expressou na rede social X “apoio total” à posição que defende “a integridade do futebol”. A decisão foi tomada durante uma reunião virtual nesta quinta-feira.
“Nenhuma parte dela deve jamais ser vendida a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda”, conclui o comunicado da Uefa.
A confederação critica tanto o processo – realizado “em segredo” – quanto a essência do projeto: “Qualquer decisão relativa ao calendário internacional, aos formatos das competições ou à reformulação do futuro do futebol deixaria de ser guiada pelos interesses do esporte e passaria a ser guiada pelos interesses dos acionistas”.
O projeto foi revelado pelo jornal britânico The Times na terça-feira (28) e foi esclarecido horas depois pela Fifa. A entidade pretende criar uma nova filial que estaria encarregada de administrar seus direitos comerciais e a organização de torneios, incluindo a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes.
A empresa seria controlada maioritariamente pela Fifa, mas uma “captação de recursos”, para levantar até US$ 4,2 bilhões, seria organizada junto a investidores de longo prazo, que adquiririam participações minoritárias.
“Todos os lucros líquidos serão reinvestidos no futebol”, afirmou a Fifa, prometendo aos seus membros benefícios económicos por meio de um novo mecanismo de financiamento: o Programa Fifa Fast Forward (FFFP).
Para concretizar este plano, que ainda precisa ser aprovado pelo Conselho da entidade máxima do futebol, a instituição explica que está trabalhando com o banco J.P. Morgan e o fundo de investimento Thrive Eternal, fundado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo The Times, Infantino, que tem demonstrado regularmente sua proximidade com Trump, poderia se tornar diretor-geral da nova filial, o que multiplicaria seus lucros pessoais. A iniciativa se alinha à intenção do presidente da Fifa de liberar o potencial comercial da instituição.
O diário ainda informa que Infantino enviou uma carta às federações, dando‑lhes até 19 de setembro para apoiarem o projeto, com a promessa de receberem, em troca, € 20 milhões em financiamentos adicionais a partir de 1º de janeiro de 2027.
Esse prazo tão curto também se explica pelo próximo processo eleitoral à presidência da entidade, previsto para março de 2027. Gianni Infantino concorre à reeleição e, até o momento, é o único candidato declarado. O impasse com a Uefa poderia reacender a hipótese de um candidato apoiado pela instituição europeia para tentar impedir a continuidade de Infantino.
ANG/RFI com agências