OMM/Aumento de incêndios e ondas de calor ameaça a qualidade do ar e a saúde, alerta agência da ONU
(ANG) – O aumento dos incêndios e das ondas de calor ameaça os esforços para melhorar a qualidade do ar e pode trazer consequências para a saúde das populações, alertou nesta segunda-feira (7) a Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Em seu boletim anual sobre a qualidade do ar, a agência da ONU chama a atenção para o aumento dos “incêndios florestais extremos”, com consequências provocadas pela toxicidade da fumaça.
O aquecimento global intensifica os fenómenos extremos: as ondas de calor se agravam e os incêndios se tornam mais frequentes. “A qualidade do ar e a mudança climática não devem ser tratadas como temas separados.
Se uma se deteriora, a outra também se deteriora”, afirma o cientista Lorenzo Labrador, da rede de Vigilância da Atmosfera da OMM.
No boletim, a OMM destaca dois dos principais poluentes atmosféricos: as partículas finas e o ozónio troposférico.
A entidade também analisa alguns aerossóis, em especial o carbono negro e os microplásticos.
A organização acompanha a evolução das partículas finas PM2,5 (com diâmetro não superior a 2,5 micrómetros), comparando sua concentração em 2025 com a observada no período de 2003 a 2024.
Segundo Labrador, as partículas finas produzidas pela queima de vegetação durante incêndios florestais são “muito mais tóxicas” em comparação com as emitidas por automóveis, por exemplo.
Elas representam um risco à saúde porque podem penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea.
“Nas áreas onde ocorrem incêndios florestais, observamos elevados níveis de poluição por partículas finas”, explicou Labrador.
“Embora as regulamentações adotadas na Europa e na América do Norte tenham reduzido as emissões de partículas finas PM2,5 provenientes da indústria e dos transportes, a exposição às PM2,5 associadas aos incêndios aumentou”, afirmou a OMM.
As partículas também afetam a saúde de populações muito distantes das áreas atingidas pelo fogo, pois são transportadas pelos ventos. O cientista também lamentou que as avaliações atuais dos riscos relacionados à qualidade do ar não levem em conta de forma adequada essa maior toxicidade da fumaça dos incêndios.
Segundo a OMM, um estudo epidemiológico mostrou que os modelos convencionais baseados nas concentrações de PM2,5 podem subestimar em até 93% a mortalidade atribuída aos incêndios.
“Será cada vez mais difícil cumprir as diretrizes da Organização Mundial da Saúde para a qualidade do ar, pois as condições meteorológicas favoráveis a incêndios extremos tendem a se intensificar no futuro”, afirma o relatório.
O documento também destaca outra importante fonte de poluição atmosférica com impactos relevantes sobre a saúde: o ozónio troposférico, cuja formação é favorecida por ondas de calor, como as registadas nos últimos meses na Europa.
O problema tende a crescer porque “as ondas de calor criam as condições para a formação desse ozónio”, afirmou Labrador.
Segundo a OMM, o aumento das temperaturas, a estagnação da atmosfera e a intensa radiação solar favorecem a formação de ozónio próximo à superfície durante as ondas de calor, como demonstraram estudos recentes realizados no sudeste dos Estados Unidos, na Europa e na China.
A exposição prolongada ao ozónio troposférico está associada ao aumento da mortalidade, principalmente por doenças respiratórias. A maior presença desse poluente pode provocar dezenas de milhares de mortes adicionais, alerta a organização.
O relatório também chama atenção para os microplásticos presentes na atmosfera, cuja concentração e cujos efeitos ainda são difíceis de medir com precisão, e para o carbono negro (fuligem), emitido especialmente por incêndios florestais.
Ao se depositar sobre superfícies cobertas de neve e gelo, esse material reduz sua capacidade de refletir a luz solar e contribui para o aquecimento global. ANG/RFI/AFP