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Primeiro-ministro defende estabelecimento de Novo Programa Económico e Financeiro com FMI

Primeiro-ministro defende estabelecimento de Novo Programa Económico e Financeiro com  FMI

(ANG) – O Primeiro ministro de Transição, Ilídio Vieira Té defendeu o início das discussões para a celebração de um novo programa económico e financeiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), para consolidar os progressos alcançados, aprofundar as reformas e reforçar a credibilidade internacional do país.

A posição foi manifestada hoje, em conferência de imprensa conjunta, no âmbito da 12ª e última avaliação do programa económico e financeiro com o FMI, iniciado em Janeiro de 2023.

O chefe do Governo disse que é positiva a avaliação do percurso do programa, apesar das dificuldades políticas, institucionais e económicas enfrentadas pelo país.

Destacou que os resultados alcançados constituem um mérito colectivo do Estado guineense, das instituições e dos parceiros internacionais que acompanham a execução do programa.

Relativamente as perspectivas económicas, o Primeiro-ministro indicou que as projeções apontam para um aumento real do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,2 por cento em 2026 para  5,8 por cento em 2027.

Acrescentou  que as receitas fiscais deverão igualmente conhecer uma evolução, passando de 142,5 mil milhões de francos CFA em 2026 para 164,7 mil milhões em 2027.

Quanto ao défice orçamental, incluindo donativos, Ilídio Vieira Té afirmou que deverá diminuir de 7 por cento do PIB, em 2025, para 4,2 por cento em 2026, com uma previsão de redução para 2,8 por cento em 2027.

Apesar das perspectivas encorajadoras, o chefe do Executivo reconheceu que a dívida pública, estimada em 76, 9 por cento do PIB, continua elevada, enquanto a pressão fiscal, situada em 9,1 por cento, permanece insuficiente, exigindo prudência, disciplina financeira e continuidade das reformas.

Ilídio Vieira Té sublinhou que o crescimento económico só terá significado quando se traduzir na criação de emprego, aumentando os rendimentos, melhoria dos serviços públicos e das condições de vida da população.

Neste quadro, o Primeiro-ministro reafirmou o compromisso do Governo com a consolidação das finanças públicas,  modernização fiscal e aduaneira,  transparência na gestão pública e  mobilização de financiamentos concessionais.

Disse que  um eventual novo programa com o FMI deverá estar alinhado com o Plano Nacional de Desenvolvimento, incluindo investimentos prioritários nos sectores de educação, saúde, infraestruturas, energia, agricultura e diversificação económica.

O chefe do Governo esclareceu que a intenção não é de  estabelecer um programa orientado apenas para o cumprimento de metas financeiras, mas sim, criar um instrumento capaz de promover o crescimento produtivo, a criação de emprego e o desenvolvimento social.

Destacou a importância da continuidade das políticas económicas, do respeito pelos compromissos internacionais e da manutenção da confiança dos parceiros, considerando que a credibilidade do país se conquista através de resultados, transparência e cumprimento das responsabilidades assumidas.

Ilídio Vieira Té afirmou que o êxito do programa deverá ser medido pela capacidade de transformar a estabilidade macroeconómica em estabilidade social e o crescimento económico em melhores condições de vida para a população guineense.

Segundo o chefe da missão do FMI, Nico Hobdar , a conclusão da última avaliação do programa de crédito alargado(PCF) encerra assim os quatro anos de acompanhamento económico e financeiro do país.

O chefe da missão esclareceu que a conclusão do processo vai agora ser submetida a aprovação do Conselho da Administração do FMI.

Nico Hobdar referiu que antes deste programa, a Guiné- Bissau já tinha beneficiado de um programa de curto prazo, iniciado na sequência da pandemia da COVID-19.

O chefe da missão do FMI manifestou satisfação com os progressos económicos registados durante o período de implementação do PCF, e destacou a melhoria de vários indicadores macroeconómicos.

De acordo com o Nico Hobdar, no quadro desse programa, a Guiné-Bissau melhorou significativamente o nível de inflação, o défice orcamental e a sua dívia pública, que apresentavam níveis elevados no início da implementação do PCF.

Destacou que, a inflação situa atualmente em zero, com uma ligeira tendência negativa, enquanto o crescimento económico mantém-se forte.

Acrescentou que, a evolução da conta corrente apresenta resultados muito positivos, com benefícios para os agricultores e para o consumo no país.

Nico Hobdar destacou os progressos registados pela Guiné-Bissau no domínio das infraestruturas, considerando que os resultados do programa económico não se limitam à melhoria dos indicadores macroeconómicos.

Segundo o chefe da missão do FMI, para além do crescimento económico e a redução da inflação, o país registou melhorias na construção e reabilitação de estradas, na expansão da rede elétrica.

Sublinhou que a avaliação do desempenho económico deve igualmente ter em conta os investimentos realizados nas infraestruturas e a melhoria do acesso ao fornecimento de energia elétrica.

Nico Hobdar disse que a expansão da rede elétrica e o desenvolvimento das infraestruturas rodoviárias e portuárias constituem progressos importantes para o desenvolvimento do país. ANG/LPG/ÂC//SG

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