Egipto/Confirmada a prisão de jornalistas sob acusação de ligação com a Irmandade Muçulmana
(ANG) – As autoridades egípcias confirmaram nesta quinta-feira (1°) ter prendido os seis jornalistas da plataforma de investigação Matsadaash, alegando ligações com a Irmandade Muçulmana, proibida no país.
A prisão de toda a equipe editorial, revelada na quarta-feira (30) pela própria plataforma, demonstra uma “escalada na ofensiva contra o trabalho jornalístico” no país, afirmou Lobna Darwish, integrante da Iniciativa Egípcia para os Direitos Pessoais (EIPR). Segundo ela, o exercício do jornalismo no Egito se tornou “extremamente perigoso”.
Em comunicado, o Ministério do Interior do Egito declarou que a plataforma, considerada “não autorizada”, “divulga informações falsas a partir do exterior e distorce os fatos”. Segundo o ministério, o site estaria ligado aos veículos de comunicação da “organização terrorista Irmandade Muçulmana”.
O ministério não apresentou nenhuma prova para sustentar as acusações, e o local onde os jornalistas estão detidos não foi informado.
O site negou qualquer vínculo com partidos políticos e afirmou que, desde sua criação em 2018, a Matsadaash mantém uma atuação “baseada na verificação de informações e na correção de declarações enganosas, independentemente de sua origem”.
Especializada em verificação de fatos, a Matsadaash costuma contestar declarações de autoridades e órgãos governamentais. Recentemente, o site publicou uma verificação de declarações do ministro das Relações Exteriores, Badr Abdelatty, sobre o número de refugiados no país.
De acordo com a EIPR, o número total de jornalistas presos no Egipto por questões relacionadas ao exercício da profissão chegou agora a 26. O Cairo é alvo de críticas por violações de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão.
Organizações de direitos humanos acusam as autoridades egípcias de manter um grande número de dissidentes detidos por sua opiniões. O governo nega essas acusações e afirma que essas pessoas estão presas por motivos previstos na legislação penal.
Mahmoud Kamel, membro do Sindicato dos Jornalistas Egípcios, afirmou que as novas prisões fazem parte de um “ambiente geral sufocante para as liberdades”. “O único crime cometido pelas pessoas presas foi exercer sua profissão de jornalista, realizando pesquisas e análises para revelar a verdade. Esse é o papel fundamental da imprensa”, declarou Kamel à AFP na quinta-feira. ANG/RFI/AFP