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Itália/ Condenados 32 envolvidos na tragédia da ponte de Génova

Itália/ Condenados 32 envolvidos na tragédia da ponte de Génova

(ANG) – Trinta e dois réus foram condenados nesta quinta-feira (16) a penas que chegam a 12 anos de prisão em regime fechado no julgamento da tragédia da ponte Morandi, em Génova, no noroeste da Itália.

O desabamento da estrutura, na manhã chuvosa de 14 de agosto de 2018, arrastou dezenas de veículos e deixou 43 mortos.

Segundo o tribunal da cidade, entre os condenados estão vários ex-executivos da concessionária de rodovias Autostrade per l’Italia (Aspi), responsável pela gestão do gigantesco viaduto situado na estrada que liga a Itália à França.

Giovanni Castellucci, ex-diretor-geral da Autostrade, já preso por outro acidente fatal ocorrido em 2013 em um viaduto no sul da Itália, recebeu a pena mais severa. Ele foi considerado culpado por negligência e homicídio culposo ao fim de um julgamento iniciado em 2022 sob uma grande tenda montada no pátio do tribunal de Génova.

“Sinto-me responsável, mas não culpado”, declarou ele aos juízes, apesar das conclusões contundentes dos magistrados encarregados de investigar a tragédia, cujas Imagens correram o mundo.

Os ex-números 2 e 3 da Autostrade foram condenados, respectivamente, a cinco anos e meio e 11 anos de prisão. Um ex-funcionário do Ministério italiano da Infraestrutura e dos Transportes responsável pela fiscalização das concessões rodoviárias recebeu pena de cinco anos de prisão.

Outros 28 coreus, de um total de 57 acusados, também foram considerados culpados e condenados a penas de pelo menos um ano e 11 meses de prisão, informou a agência de notícias Agi.

“Hoje podemos dizer que existem culpados pelas mortes dos nossos parentes”, declarou Michele Matti Altadonna, irmão de uma das 43 vítimas, após a leitura da sentença.

“Essa ponte não desabou por acaso. (…) Como sempre sustentamos, e como o Ministério Público afirmou repetidamente, esse colapso poderia ter sido evitado”, declarou o advogado Raffaele Caruso, representante do comitê de familiares das vítimas da ponte Morandi.

O vice-ministro italiano da Infraestrutura e dos Transportes, Edoardo Rixi, comemorou o fato de que “as responsabilidades foram finalmente estabelecidas”.

“O desabamento não foi uma fatalidade, mas o resultado de erros e omissões graves por parte daqueles que tinham o dever de garantir a segurança” da obra, afirmou.

“É um dia de enorme peso histórico e emocional para a cidade de Génova”, comentou a perfeita da cidade, Ilaria Salis, dentro do tribunal.

Durante o processo, os magistrados destacaram que, entre a inauguração da ponte, em 1967, e seu desabamento, 51 anos depois, não foram realizadas intervenções mínimas de manutenção para reforçar os cabos do pilar número 9, que cedeu no dia da tragédia.

A fragilidade desses cabos era conhecida. Obras de reforço já haviam sido realizadas em dois pilares idênticos, os de números 10 e 11, e intervenções semelhantes estavam previstas para o pilar 9.

A tragédia lançou luz sobre o estado precário da infraestrutura de transporte na Itália e sobre o papel controverso da Autostrade, acusada de negligenciar a manutenção da obra para reduzir custos.

A defesa, porém, contestou essa conclusão. Giovanni Paolo Accinni, advogado de Giovanni Castellucci, afirmou nesta quinta-feira que seu cliente é inocente e anunciou que recorrerá da sentença. Segundo a principal tese da defesa, o desabamento teria sido provocado por um defeito oculto de construção – a corrosão dos cabos da ponte – e não pela falta de manutenção.

Embora seus antigos dirigentes tenham sido levados ao banco dos réus, a Autostrade e sua subsidiária Spea escaparam do julgamento graças a um acordo firmado com o Ministério Público.

Na época da tragédia, a concessionária pertencia ao grupo Atlântia, controlado pela família Benetton. Sob forte pressão da classe política e da opinião pública, a Benetton acabaram vendendo sua participação ao Estado em Maio de 2022.

ANG/RFI com AFP

 

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