EUA/ ONU pede que Tennessee desista de executar mulher que sobreviveu à injeção letal
(ANG) – O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu nesta quinta-feira (1) que as autoridades do Tennessee, nos Estados Unidos, desistam de qualquer nova tentativa de executar uma condenada que sobreviveu ao protocolo de injeção letal.
Uma investigação foi aberta e as execuções foram suspensas no Tennessee após o fracasso, sem precedentes nos Estados Unidos, da execução da americana Christa Pike, de 50 anos.
“O caso de Christa Pike evidencia várias razões pelas quais apena de morte deve ser abolida”, afirmou o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, na rede X.
“Os longos sofrimentos, tanto físicos quanto psicológicos, provocados por várias tentativas fracassadas de execução são abjetos e cruéis. Além disso, importantes questões relativas ao respeito ao direito a um julgamento justo permanecem sem resposta”, declarou.
Volker Türk também apelou às autoridades estaduais para que renunciem a qualquer nova tentativa de executar Christa Pike.
O alto-comissário manifestou ainda preocupação com o aumento do número de execuções nos Estados Unidos, acrescentando que “a pena de morte não tem lugar em nenhuma sociedade”.
Christa Pike, condenada por homicídio em 1996, deveria se tornar a primeira mulher executada em mais de dois séculos no Tennessee, um dos pouco mais de 20 estados americanos onde a pena de morte continua em vigor.
Segundo testemunhas da execução e os advogados da condenada, ela continuou respirando e roncando de forma audível após receber duas doses de pentobarbital, que deveriam causar sua morte.
A Suprema Corte do Estados Unidos, de maioria conservadora, autorizou na quarta-feira a execução de Christa Pike, revertendo uma suspensão concedida na mesma manhã por um tribunal federal de apelações.
Uma hora antes do horário inicialmente previsto para a execução, esse tribunal decidiu ganhar tempo para analisar a admissibilidade de um recurso da defesa centrado nas violências sexuais sofridas pela condenada durante a infância.
O Estado do Tennessee reconheceu pela primeira vez essas agressões em agosto, mas não alterou sua posição sobre a execução. ANG/RFI/AFP