Produtores pedem alargamento do prazo imposto pelo Governo para se pôr fim a venda de água em sacos de plástico
(ANG) – A Associação dos Produtores de Água Empacotada da Guiné-Bissau (APA) pediu, quarta-feira, ao Governo para alargar para 60 dias o prazo para pôr fim a comercialização da água em sacos de plástico.
O pedido foi feito pelo porta-voz da APA Ibraima Dahaba em conferência de Imprensa, na qual alegou que a aplicação da medida nos moldes previstos poderá provocar graves consequências económicas e sociais no país.
“O encerramento de cerca de 200 empresas dedicadas à produção de água empacotada poderá deixar milhares de famílias em situação de vulnerabilidade, além de provocar o desemprego de centenas de jovens e mulheres”, disse Dahaba.
Sublinhou que a proibição da comercialização da água empacotada em sacos de plástico poderá também dificultar o acesso da população à água potável, tendo em conta o baixo poder de compra de uma parte significativa dos consumidores.
O porta-voz destacou ainda que a medida terá um impacto particular sobre os jovens que trabalham nas unidades de produção e nas mulheres que se dedicam à venda ambulante de água em sacos de plástico, atividade que sugundo ele, constitui uma importante fonte de rendimento para muitas famílias.
A associação revelou que, desde o anúncio da decisão governamental, tentou, por várias vezes, estabelecer contacto com as autoridades competentes, mas não obteve resposta.
Perante a situação, a APA solicita um encontro urgente com o Primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, com o objetivo de apresentar as suas preocupações e encontrar uma solução consensual.
Apesar de contestar o prazo estabelecido, a Associação assegura que não está contra a decisão do Governo, reconhecendo as preocupações ambientais relacionadas com a utilização de embalagens plásticas.
Defende, contudo, que a implementação da medida deve ser acompanhada por um período de transição que permita aos produtores adaptar-se à nova situação.
Nesse sentido, Ibraima Dahaba manifestou a disponibilidade dos associados colaborarem na recolha dos sacos de plásticos utilizados, enquanto se procura uma alternativa de embalagem, nomeadamente garrafas ou copos.
O Ministério dos Recursos Naturais(MRN) através da sua página de facebook, visita da pela ANG, informa que a Comissão instituída pelo Governo para o acompanhamento da aplicação da lei que proíbe a produção, importação e comercialização de sacos de plásticos seguiu com atenção a conferência de imprensa realizada pela APA e que reitera o seu compromisso com o diálogo, transparência e respeito pelo Estado de Direito.
“Neste sentido, a Comissão informa a opinião pública nacional de que, no momento oportuno, irá reagir com factos e provas reais sobre o processo de encerramento destas pequenas indústrias, apresentando toda a documentação oficial, as notificações, os autos de fiscalização e as evidências que sustentam cada decisão tomada no terreno”, refere o MRN.
A Comissão reafirma ainda que todas as ações de fiscalização foram realizadas em estrito cumprimento da lei, respeitando os procedimentos legais e com o único objectivo de proteger o ambiente, a saúde pública e o futuro das gerações vindouras. ANG/AALS/ÂC//SG