BAD avalia execução de projetos na Guiné-Bissau e prepara nova estratégia de cooperação
(ANG) – Uma missão do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), chefiada pelo seu Diretor Regional está no país para avaliar a implementação da sua estratégia de cooperação, referente ao período 2022/ 2026, cujo término está previsto para Dezembro deste ano.
A missão manteve hoje um encontro com o Presidente da República de Transição, Horta Inta-a, e a saída em declarações à imprensa, Lamin G. Barrow destacou a longa parceria entre a instituição e a Guiné-Bissau, iniciada em 1976, há cerca de 50 anos.
Segundo Lamin G. Barrow, o Banco dispõe de uma carteira de investimentos avaliada em aproximadamente 235 milhões de dólares, destinados ao financiamento de 14 projetos em curso, abrangendo setores como transportes, agricultura, energia, áreas social e governação.
Barrow disse que a equipa do BAD deverá manter encontros com os ministros responsáveis pelas áreas beneficiárias, altos funcionários do Governo, representantes do sector privado, organizações da sociedade civil e parceiros de desenvolvimento.
As consultas, de acordo com o Diretor Regional do BAD. visam avaliar os progressos alcançados na execução dos projetos financiados, identificar lições para melhorar o desempenho da carteira de investimento e recolher contribuições para definir as futuras prioridades de intervenção do Banco na Guiné-Bissau.
Lamin G. Barrow sublinhou que a missão se enquadra na política do BAD de manter o seu envolvimento com os governos, mesmo no contexto de dificuldades, com o objetivo de garantir que o apoio disponibilizado continue a beneficiar as populações, através de acesso aos serviços, da melhoria da competitividade económica e da criação de empregos sustentáveis.
Entre os resultados considerados importantes durante a atual estratégia, o Diretor Regional do BAD destacou a interligação energética no âmbito da Organização para a Valorização do Rio Gâmbia (OMVG), que permite a Guiné-Bissau beneficiar da energia hidroelétrica produzida na Guiné-Conacry, juntamente com outros países da organização, nomeadamente Senegal e Gâmbia.
De acordo com Lamin G. Barrow está iniciativa facilita o acesso à energia mais limpa e à custos mais acessíveis, criando melhores condições para o desenvolvimento das pequenas e médias empresas, consideradas fundamentais para o crescimento do setor privado.
No domínio dos transportes, Lamin Barrow salientou a importância das ligações rodoviárias com os países vizinhos, nomeadamente através do corredor de Tanaf, que estabelece ligação com o Senegal e das vias de ligação com a Guiné-Conacry.
Disse que estas infraestruturas poderão transformar-se em corredor económicos, facilitando o acesso dos agricultores aos mercados, a circulação de pessoas e mercadorias e o reforço do comércio intra-africano.
Lamin G. Barrow destacou igualmente as oportunidades de transformação e valorização dos produtos nacionais, citando o caju como um dos principais exemplos.
Segundo o Diretor-geral, o processamento local da castanha de caju em produtos acabados poderá aumentar os rendimentos da população do país.
Acrescentou que os recursos marinhos e pesqueiros, bem como o potencial hidroelétrico da Guiné-Bissau, representam outras oportunidades para dinamizar a economia e ampliar a participação do país nos mercados regionais e internacionais.
O Diretor Regional do BAD manifestou a expetativa de que os encontros com os diferentes sectores da sociedade vão permitir recolher informações sobre os desafios e as oportunidades de desenvolvimento do país, para o reforço da resiliência das populações, melhoria das condições de vida e do fortalecimento do desempenho da economia nacional.
Por sua vez, o ministro da Economia, Plano e Integração Regional Mamadu Mudjetaba Djaló revelou que o BAD pretende estender a cooperação por mais dois anos, ou seja até 2028.
Acrescentou que passaram em revista a carteira de 14 projetos financiados pelo BAD, entre os quais nacionais e regionais, orçados em mais de 245 milhões de dólares, abrangendo os setores de transportes, agricultura e energia.
Djaló disse que também foi debatido os mecanismos de implementação dos projetos para a construção da estrada Farim-Tanaf e Boké-Quebo, financiados pelo banco.
O governante disse que abordou com a missão a possibilidade de implementação de novos projetos, para construção da barragem hidroelétrica na localidade de Saltinho, sector de Quebo, região de Tombali, na Guiné-Bissau, considerada importante para soberania elétrica nacional.
Acrescentou que, brevemente, será lançada o concurso público para construção de central elétrica com 40 megas financiado por um outro parceiro.
Mamadu Mudjetaba Djaló revelou ter ainda debatido com o Diretor Regional do BAD questões relacionadas com sector de água e saneamento, a necessidade de promoção de uma boa imagem do país no exterior,para a atração de mais investidores e melhor aproveitamento das potencialidades existentes nos setores de Turismo e Agricultura .
Mudjetaba Djaló disse que, brevemente, vai ser inaugurada uma unidade de processamento da castanha de Caju com capacidade para processar cinco mil toneladas, e que está prevista para 2028 a inaugiuração de uma outra com capacidade de processamento de 25 mil toneladas . ANG/LPG/ÂC//SG