Comércio Intra-regional/CEDEAO quer explorar seu potencial para impulsionar o comércio e consolidar o mercado comum
(ANG) – A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) lançou, na segunda-feira, em Abidjan, na representação da comissão, uma série de reuniões estratégicas destinadas a acelerar a implementação do mercado comum, com foco particular no fortalecimento do comércio intrarregional.
Em uma coletiva de imprensa, o Diretor de Livre Circulação de Pessoas, Migração e Turismo da CEDEAO, Albert Siaw-Boateng, indicou que essas reuniões visam promover o investimento, facilitar a circulação de bens e pessoas, garantindo ao mesmo tempo um quadro seguro e sustentável.
“O objetivo é promover intervenções essenciais para fortalecer o mercado comum da CEDEAO, inclusive estimulando o investimento e facilitando o comércio na sub-região”, afirmou.
Estão previstas cinco reuniões temáticas neste contexto, incluindo uma dedicada à construção do mercado comum e ao reforço do comércio alimentar intrarregional, considerado uma alavanca essencial para a integração económica.
Segundo Koawole Sofola, diretor de comércio da CEDEAO, o mercado comum da África Ocidental oferece um potencial de mais de 400 milhões de consumidores e proporciona uma base sólida para o desenvolvimento da produção regional e das cadeias de abastecimento.
Ele revelou que o comércio intrarregional de produtos alimentícios atinge aproximadamente US$ 10 bilhões anualmente, um nível que supera em muito os números oficiais. “Esse comércio representa uma grande oportunidade para fortalecer a segurança alimentar, estimular o investimento e apoiar o crescimento econômico”, enfatizou.
O workshop planejado, com duração de dois dias, tem como objetivo principal identificar os obstáculos ao comércio intrarregional e propor medidas concretas para removê-los, visando uma melhor integração econômica.
Falando em nome do Clube do Sahel e da África Ocidental da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o gerente de programa Alban Mas Aparisi destacou a importância dessas trocas, que ajudam a alimentar quase 80 milhões de pessoas na região e a gerar inúmeros empregos nos setores agrícola e comercial.
No entanto, ele observou que quase 85% desses fluxos comerciais permanecem informais e não são suficientemente considerados nas políticas públicas, o que limita seu impacto nas estratégias de desenvolvimento.
Além das questões comerciais, as reuniões também abordarão temas relacionados, como proteção do consumidor, gestão de plásticos, segurança alimentar e livre circulação de pessoas, com foco na harmonização de documentos de identidade biométricos nos Estados-Membros.
As conclusões deste trabalho serão submetidas a reuniões ministeriais, incluindo as dos ministros responsáveis pelo Interior e pela Imigração, com vista à adoção de recomendações conjuntas para reforçar a integração regional.
Por meio desta iniciativa, a CEDEAO pretende consolidar seu mercado comum e fazer do comércio intra-africano um motor central do desenvolvimento econômico sustentável na África Ocidental. ANG/Faapa