Conferência de Tianjin/”Cooperação mineira entre China e Guiné-Bissau ganha novo impulso ”, diz Director-geral da Geologia e Minas
(ANG) – O Diretor-geral de Geologia e Minas do Ministério dos Recursos Naturais admite que a cooperação entre a China e a Guiné-Bissau no setor mineiro poderá entrar numa nova fase, com maior aposta no conhecimento geológico, na transferência de tecnologia, formação de recursos humanos e no desenvolvimento sustentável.
Hélder António Alfredo Mutna fez estas observações em nota à imprensa enviada à ANG.
Helder Mutna, representou o ministro de tutela, Júlio Baldé na 28.ª Conferência e Exposição Internacional de Mineração da China, realizada em Tianjin, de 10 à 12 de Setembro.
Sob o lema “Cooperação para benefícios mútuos, desenvolvimento verde e inteligente”, a Conferência reuniu empresas, especialistas e representantes de diferentes setores ligados à indústria mineira, e abordou temas como inovação tecnológica, inteligência artificial, legislação mineira, cooperação geocientífica, recuperação ecológica e minerais associados às novas energias.
Segundo Mutna, a Conferência contou com 28 fóruns, 658 empresas expositoras e mais de 31 mil participantes., sublinhando que, a experiência demonstrou a crescente integração de tecnologias como inteligência artificial, Internet das Coisas, grandes volumes de dados e sistemas de gestão digital na indústria mineira.
Informou que, durante a visita, a delegação guineense participou também no Diálogo sobre Mineração Verde e Cooperação Económica e Comercial Internacional de Minerais Verdes, realizado a 10 de Setembro na qual a Guiné-Bissau foi incluída na agenda do encontro como futuro membro da Iniciativa Internacional sobre Mineração Verde e Minerais Verdes.
“As discussões estiveram centradas no investimento, comércio de minerais verdes, responsabilidade social, transferência de tecnologia, capacitação, financiamento, criação de valor local e construção de cadeias de abastecimento sustentáveis”, salientou.
Disse que a Guiné-Bissau dispõe de recursos minerais identificados, entre os quais bauxite, fosfatos e areias pesadas, mas que grande parte do território ainda carece de prospeção geológica sistemática e moderna.
O DG de Geologia e Minas aponta como principais desafios desse processo de eventual exploração dos Recursos Naturais, a organização, digitalização e atualização dos dados geológicos, a modernização da gestão dos direitos mineiros, o reforço dos laboratórios e equipamentos, a formação de técnicos especializados e o fortalecimento da capacidade de fiscalização e regulação.
Para o Diretor-geral de Geologia e Minas, o conhecimento dos recursos deve preceder a sua exploração, razão pela qual considera que a experiência chinesa em cartografia geológica, tecnologias de prospeção, digitalização e formação de recursos humanos poderá constituir uma área importante de cooperação entre os dois países.
“A experiência apresentada em Tianjin reforçou igualmente a necessidade de a atividade mineira contribuir para outros setores da economia nacional”, frisou.
No caso dos fosfatos, a nota aponta para a possibilidade de, a longo prazo e dependendo das condições técnicas e económicas, desenvolver atividades de transformação e produção de fertilizantes, criando ligações entre o setor mineiro e a agricultura.
Quanto ao bauxite, a exploração deverá ser articulada com os setores da energia, transportes e logística, enquanto as areias pesadas poderão ser analisadas não apenas pela quantidade disponível, mas também pelo potencial de processamento e pelas futuras cadeias industriais e tecnológicas.
A visão defendida é de que a atividade mineira deve gerar benefícios para além das próprias zonas de exploração, através da construção de infraestruturas, criação de emprego, melhoria das ligações rodoviárias, acesso à energia e fortalecimento da agricultura e do comércio.
Com base na experiência adquirida na China e nas necessidades identificadas na Guiné-Bissau, foram apontadas sete áreas prioritárias para aprofundar a cooperação bilateral.
Entre elas estão o reforço do conhecimento geocientífico do território, a modernização institucional e digital do setor mineiro, a criação de um laboratório nacional, a formação de recursos humanos e a transferência de tecnologia.
A lista inclui ainda a promoção de investimentos mineiros responsáveis, a criação de emprego e de cadeias de fornecimento nacionais e a articulação dos grandes projetos mineiros com o desenvolvimento regional das áreas de energia, logística e comunidades locais.
O Diretor-Geral de Geologia e Minas considera que a dimensão territorial da Guiné-Bissau pode permitir uma modernização integrada e gradual do setor.
A perspetiva apresentada defende uma parceria estruturada entre os dois países, combinando geociências, tecnologia, investimento, reforço institucional, proteção ambiental, transformação económica e desenvolvimento de recursos humanos.
O documento sublinha que a concretização dessa cooperação dependerá de projetos concretos, objetivos mensuráveis, mecanismos eficazes de transferência de conhecimento e sistemas transparentes de acompanhamento e avaliação.
“A participação guineense na Conferência Internacional de Mineração da China permitiu ainda observar a transformação tecnológica e ambiental que atravessa atualmente a indústria mineira deste país asiático”, disse.
Para a Guiné-Bissau, segundo o DG da Geologia e Minas, a prioridade passa por transformar o potencial geológico em conhecimento científico, investimento, produção e valor acrescentado, com impacto no emprego, nas receitas públicas, nas infraestruturas, na qualificação profissional e nas condições de vida da população.
“A cooperação com a China é apresentada, assim, não apenas como uma oportunidade para desenvolver recursos minerais, mas também como um instrumento para reforçar o conhecimento, as capacidades técnicas e a criação de benefícios económicos e sociais duradouros para a Guiné-Bissau”, afirmou. MutnaANG/MI/ÂC