Emirados Árabes Unidos/EUA concluem novos ataques e insistem que o Irão não controla estreito de Ormuz
(ANG) – O exército norte‑americano anunciou hoje ter concluído a mais recente vaga de ataques contra o Irão, insistindo que Teerão “não controla” o estreito de Ormuz, e sob acusações iranianas de ter “violado abertamente” o cessar-fogo acordado.
O Comando Central dos EUA (Centcom) indicou, em comunicado, que foram atingidos sistemas de defesa aérea, radares, equipamentos de mísseis e drones, além de pequenas embarcações.
Segundo o Centcom, foram utilizados pela primeira em simultâneo caças, navios, drones aéreos e drones navais.
“O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo vital para o comércio global. O Irão não o controla”, declarou o Centcom.
De acordo com a agência de notícias oficial iraniana Irna, uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas esta manhã num bombardeamento norte-americano contra a cidade de Mahchahr, no sudoeste do Irão.
A Guarda Revolucionária do Irão reivindicou esta segunda-feira novos ataques contra instalações norte-americanas localizadas em Omã e no Bahrein.
“Para além de ter atacado as instalações e infraestruturas do Exército norte-americano em Juffair, no Bahrein, onde os incêndios continuam a alastrar, a Marinha da Guarda Revolucionária atacou e destruiu” radares, incluindo um de deteção de navios no Omã, indicou.
Num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Teerão acusou os Estados Unidos de terem “violado abertamente quase todos os termos” do acordo concluído em Junho,
provocando o “regresso da insegurança” no Estreito de Ormuz.
O país também acusou Washington de ter “reduzido a nada todos os esforços dos últimos meses” para restaurar a paz na região.
Os ataques iranianos de domingo atingiram o Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e até Omã, que partilha com o Irão as águas territoriais que compõem o Estreito de Ormuz.
O estreito, por onde já passou um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializado, tornou-se o ponto central de disputa num acordo interino entre os EUA e o Irão.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou esta segunda-feira que “o memorando de entendimento existe, mas não está a ser realmente aplicado e nós estamos a discutir o que mais podemos fazer, que tipo de mensagens podemos enviar”.
“O Estreito de Ormuz tem de permanecer aberto e a liberdade de navegação tem de ser respeitada. Não podem existir portagens ou taxas para navegação”, acrescentou.
Os dois países estão quase a meio do período de 60 dias estabelecido pelo acordo, que deveria preparar negociações para um fim permanente da guerra.
Em vez disso, degenerou numa série de ataques sobre o estreito e o seu futuro, preocupando líderes mundiais com a possibilidade de um reatar do conflito.
“Um regresso às hostilidades em larga escala teria consequências catastróficas”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em comunicado.
O Exército norte-americano disse no domingo ter atingido cerca de 140 alvos, incluindo locais de lançamento de mísseis e drones, depósitos de munições, equipamentos de comunicação e outras infraestruturas – ataques muito mais pesados do que nas duas rondas anteriores da última semana.
“Bombardeámos intensamente ontem à noite”, declarou o presidente Donald Trump à emissora norte-americana NBC.
O Irão retaliou atacando países da região que acolhem forças militares dos EUA, insistindo que deve controlar sozinho o estreito e até cobrar taxas às embarcações que o atravessem.
A Guarda Revolucionária iraniana reconheceu numa declaração hoje ter iniciado uma nova vaga de ataques em todo o Médio Oriente.
“A era dos acordos unilaterais acabou”, escreveu Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador. Avisámos: cumpram a palavra ou paguem o preço. A realidade bate à porta.”
Teerão descreveu o estreito como fechado, enquanto os EUA e Trump afirmaram que se mantém aberto. ANG/Inforpress/Lusa